Transplantes de Sangue do Cordão Umbilical ultrapassam os 45 Mil

Desde o primeiro transplante de sangue do cordão umbilical, em 1988, foram já realizados mais de 45.000 transplantes com células estaminais do sangue do cordão umbilical, em crianças e adultos, para o tratamento de cerca de 80 doenças, sobretudo doenças malignas do sangue, como leucemias e linfomas, mas também imunodeficiências, anemias e doenças metabólicas.

“O sangue do cordão umbilical estabeleceu-se, nos últimos 30 anos, como uma alternativa à medula óssea, tornando a transplantação hematopoiética acessível a um leque mais alargado de doentes”, refere Bruna Moreira, Investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal.

Segundo dados da European Society for Blood and Marrow Transplantation, nos últimos anos realizaram-se, por ano, cerca de 400 transplantes hematopoiéticos com sangue do cordão umbilical na Europa. Os resultados dos transplantes de sangue do cordão umbilical são comparáveis aos obtidos com medula óssea.

“O sangue do cordão umbilical apresenta algumas vantagens, como a facilidade de colheita, a disponibilidade imediata para transplante, a maior tolerância nos fatores de compatibilidade HLA, assim como um menor risco de desenvolver doença do enxerto contra o hospedeiro, uma complicação potencialmente fatal dos transplantes hematopoiéticos”, acrescenta a especialista.

Estima-se que existam, atualmente, cerca de 800.000 unidades de sangue do cordão armazenadas em mais de 100 bancos públicos, destinadas a uso alogénico, e mais de 5 milhões de unidades para uso familiar, distribuídas por cerca de 200 bancos privados. Nos últimos 10 anos, o número de novas aplicações terapêuticas do sangue do cordão umbilical em estudo aumentou significativamente, tendo envolvido já mais de 800 doentes tratados no âmbito de estudos clínicos.

Um dos avanços mais importantes na área da medicina regenerativa com sangue do cordão umbilical, nos últimos anos, foi a descoberta de que a administração de sangue do cordão umbilical a crianças com doenças do foro neurológico, como paralisia cerebral e autismo, está associada a uma redução dos sintomas, tema que continua a ser alvo de intensa investigação científica. Para além do papel no sangue do cordão umbilical no campo da transplantação hematopoiética, o seu crescente envolvimento em novas aplicações de medicina regenerativa vem reforçar a importância terapêutica desta fonte de células estaminais.

A transplantação hematopoiética, isto é, os transplantes com células estaminais hematopoiéticas, capazes de formar um novo sistema sanguíneo e imunitário, continua a ser a única opção terapêutica curativa para muitas doenças hemato-oncológicas, como leucemias e linfomas, bem como para várias doenças metabólicas, imunodeficiências e hemoglobinopatias. Desde o primeiro transplante hematopoiético, em 1957, o número de transplantes tem vindo a aumentar, ascendendo já a mais de 1 milhão. Os transplantes autólogos (doente recebe as suas próprias células) são os que têm registado um crescimento mais acentuado, representando 60% dos mais de 45.000 transplantes realizados na Europa em 20175. Linfomas, tumores sólidos e doenças autoimunes são frequentemente tratadas com recurso a transplantes autólogos, enquanto os transplantes alogénicos (células provêm de um dador compatível), são mais utilizados em casos de leucemia, anemia e imunodeficiências. Dados recentes revelam que a transplantação hematopoiética é opção de tratamento para cerca de 70.000 doentes por ano.

Referências

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