Anunciados resultados de novo ensaio clínico com células estaminais da medula óssea para tratar Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

A empresa BrainStorm Cell Therapeutics anunciou recentemente os resultados de um ensaio clínico desenvolvido nos EUA para testar a utilização de células mesenquimais de medula óssea autóloga (dos próprios), em doentes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

Em Janeiro apresentámos os resultados de dois ensaios clínicos que envolviam a utilização de células estaminais mesenquimais produtoras de fatores neurotróficos (células NurOwn), obtidas a partir de células mesenquimais de medula óssea autóloga, para o tratamento de ELA. Estes ensaios clínicos tinham sido desenvolvidos em Israel, numa parceria entre a empresa BrainStorm Cell Therapeutics e a organização médica Hadassad. Os resultados publicados demonstravam que a infusão de células NurOwn era um procedimento seguro e bem tolerado e sugeriam potencial eficácia.

 

Células estaminais mesenquimais modificadas (NurOwn) com resultados positivos em doentes com ELA

Neste contexto, a empresa BrainStorm Cell Therapeutics anunciou agora os resultados de um ensaio clínico desenvolvido nos EUA com o objetivo de avaliar a segurança, tolerabilidade e eficácia das células NurOwn em doentes com ELA.

O ensaio clínico envolveu 48 doentes com ELA que foram tratados em 3 centros clínicos nos EUA (Massachusetts General Hospital, UMass Medical School e Mayo Clinic): 36 doentes receberam células NurOwn por injeção intratecal (diretamente no líquido que rodeia a medula espinal) e injeções intramusculares e 12 doentes receberam placebo (seguindo o mesmo procedimento). Todos os doentes foram acompanhados durante 3 meses antes do tratamento, para avaliar a evolução da doença, e durante mais 6 meses após a administração das células. A progressão da doença foi avaliada às 2, 4, 8, 12 e 24 semanas após o tratamento.

De acordo com a notícia publicada pela BrainStorm Cell Therapeutics, os doentes envolvidos no estudo toleraram muito bem o tratamento e não foram registados efeitos adversos graves relacionados com a terapêutica. Verificou-se uma maior percentagem de resposta nos doentes tratados com as células NurOwn durante todo o estudo, observando-se que mais doentes do grupo de tratamento tiveram um abrandamento na progressão da doença. Foi também demonstrado um efeito biológico das células NurOwn, observando-se um aumento dos fatores de crescimento e uma diminuição dos marcadores de inflamação no líquido cefalorraquidiano 2 semanas após o tratamento.

Os investigadores concluem que o estudo atingiu os seus objetivos, demonstrando que a infusão de células NurOwn em doentes com ELA, é um procedimento seguro e bem tolerado, e que apresenta um benefício clínico significativo.

Com base nestes resultados é proposta a realização de novos ensaios clínicos com repetição da administração de células entre as 8 e 12 semanas, e envolvendo mais doentes.

 

Fonte: http://phx.corporate-ir.net/phoenix.zhtml?c=142287&p=irol-newsArticle&ID=2186054