Células do Sangue do Cordão Umbilical promovem revascularização em modelo de Doença Arterial Periférica

As doenças cardiovasculares continuam a ser uma das principais causas de morte, tanto nos EUA como em Portugal, com custos associados a rondar os 300 biliões de dólares só nos EUA. Esta área tem sido, por isso, alvo de intensa investigação científica, com o intuito de desenvolver novas terapias regenerativas para as várias doenças cardiovasculares.

A doença arterial periférica (DAP) é uma doença cardiovascular que se caracteriza pela obstrução das artérias, geralmente dos membros inferiores, conduzindo a um deficiente fornecimento de oxigénio às células e eventual morte celular. A DAP pode causar dor e, nos casos mais severos, feridas ou mesmo gangrena, podendo levar à amputação de membros.

O desenvolvimento de novas terapias celulares para melhorar a circulação sanguínea em doentes com DAP severa tem sido amplamente estudado. Inicialmente foram realizados ensaios clínicos utilizando células estaminais da medula óssea dos próprios doentes para melhorar a circulação sanguínea nos membros afetados, no entanto, este tratamento não obteve os resultados desejados. As evidências apontam para que a quantidade de células estaminais e a sua capacidade regenerativa estejam diminuídas nestes doentes. Assim, o sangue do cordão umbilical surge como uma fonte interessante de células estaminais inalteradas, livres de disfunções relacionadas com doenças crónicas e envelhecimento. O sangue do cordão umbilical, comummente utilizado no tratamento de várias doenças hematológicas, está agora a ser testado em estudos pré‑clínicos para tratar DAP.

Células do sangue do cordão umbilical capazes de melhorar a circulação sanguínea em modelo animal

Recentemente, um grupo de investigadores canadianos publicou, na revista científica Stem Cells Translational Medicine, os resultados de um estudo sobre a administração de células estaminais do sangue do cordão umbilical em ratinhos com DAP. O estudo consistiu em isolar um determinado grupo de células estaminais do sangue do cordão umbilical que produzem grandes quantidades de uma enzima, a aldeído desidrogenase, capaz de acelerar a recuperação de lesões provocadas pelo deficiente fornecimento de oxigénio às células. Os investigadores conseguiram isolar e multiplicar com sucesso estas células do sangue do cordão umbilical e verificaram que, quando injetadas em ratinhos com DAP, estas foram capazes de acelerar a circulação sanguínea do membro afetado, 7 dias após o tratamento. Os resultados sugerem que o mecanismo envolvido neste efeito benéfico seja a secreção de moléculas que potenciam a formação de novos vasos sanguíneos. Os autores defendem que esta tecnologia poderá, após a conclusão de ensaios clínicos, ser transposta para a prática clínica, representando uma abordagem terapêutica inovadora para o tratamento de doenças cardiovasculares.

 

Referência:

Putman DM et al., Expansion of Umbilical Cord Blood Aldehyde Dehydrogenase Expressing Cells Generates Myeloid Progenitor Cells that Stimulate Limb Revascularization. Stem Cells Transl Med. 2017 Jul; 6 (7): 1607-1619.