Células estaminais com potencial para tratamento de lesões na coluna cervical – Resultados preliminares de um ensaio clínico

Uma grande parte das lesões da coluna vertebral ocorrem na região cervical, resultando na perda de controlo dos movimentos dos membros superiores e inferiores, muitas vezes de forma permanente. A possibilidade de recuperar algum controlo dos movimentos dos braços pode melhorar de forma significativa a qualidade de vida destes doentes e garantir-lhes alguma independência.

A empresa StemCells Inc. (empresa de biotecnologia sediada nos Estados Unidos da América) divulgou recentemente os resultados preliminares de um ensaio clínico de fase II, cujo objetivo é avaliar a segurança e eficácia da utilização de células estaminais neurais no tratamento de doentes com lesões na coluna cervical, com perda total dos movimentos dos membros superiores e inferiores.

Numa primeira fase do ensaio clínico, os investigadores trataram um pequeno grupo de 6 doentes no sentido de avaliar a segurança da administração das células estaminais neurais na espinal medula e selecionar a dose a administrar nos 40 doentes que serão tratados no segundo grupo. Os doentes apresentavam lesões na coluna cervical, na região que envolve as vértebras C5-C7, com mais de 10 meses (entre 10 a 23 meses). As células estaminais neurais foram transplantadas na região da lesão, tendo-se seguido os doentes durante um período mínimo de 6 meses.

Os investigadores observaram que 6 meses após a administração das células, 4 dos 6 doentes tratados nesta primeira fase recuperaram alguma força e mobilidade nos membros superiores. No decorrer do ensaio não foram detetados efeitos adversos atribuíveis às células, o que demonstra que o procedimento é seguro.

Segundo a StemCells Inc., este é o primeiro tratamento que demonstra melhoria da força muscular e da função motora em doentes com lesões crónicas da coluna vertebral.

Estes primeiros resultados são promissores, mas só após a realização do procedimento num maior número de doentes se poderão tirar conclusões quanto à sua eficácia.

O ensaio clínico encontra-se atualmente a recrutar doentes para a segunda fase, em que serão tratados 40 doentes com lesões na coluna cervical, tendo o traumatismo ocorrido há mais de 12 semanas, sem recuperação da função dos membros superiores e inferiores. Os doentes serão seguidos durante 12 meses, sendo a primeira medida de eficácia avaliada ao nível da força dos membros superiores.

Fonte:

http://goo.gl/jY8oje