Células estaminais do cordão umbilical atenuam sintomas de Espondilite Anquilosante

espondilite anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crónica que afeta principalmente a coluna vertebral, levando à fusão das vértebras, com perda de mobilidade do doente. Pode também afetar outras articulações, por exemplo as sacroilíacas (anca) e os joelhos. Nos sintomas comuns incluem-se: dor na região lombar da coluna vertebral e na anca e rigidez matinal, ou seja, dificuldade em mover as articulações durante um período após acordar. A EA é uma doença comum, especialmente entre os caucasianos (0,5-1% da população) e aparece sobretudo em homens entre os 20 e os 30 anos de idade. Nas mulheres, é menos comum e apresenta geralmente uma evolução mais favorável.

Desconhece-se ainda o mecanismo responsável pela EA. Os tratamentos convencionais incluem medicação com anti-inflamatórios não esteroides e têm sido desenvolvidos outros fármacos para controlar a doença. Recentemente, foi sugerido que a administração de células estaminais mesenquimais (MSC, do inglês Mesenchymal Stem Cells) pode ter um efeito terapêutico em doentes com EA, sobretudo pela sua capacidade de modulação da atividade do sistema imunitário. As MSC têm sido testadas em várias doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, lúpus eritematoso e artrite reumatoide, com resultados promissores. O tecido do cordão umbilical é uma das fontes preferenciais de MSC, pois o processo de colheita é muito simples e é possível isolar uma quantidade apreciável de MSC, com grande potencial proliferativo, a partir do cordão umbilical.

Doentes com EA sentem melhorias após infusão com células estaminais do cordão umbilical

Foram publicados recentemente os resultados de um ensaio clínico desenvolvido com o intuito de avaliar a segurança e o efeito terapêutico associados à administração de MSC do tecido do cordão umbilical em doentes com EA. Cinco doentes com idades compreendidas entre os 17 e os 44 anos foram infundidos por via intravenosa, entre 1 a 3 vezes, com intervalos de 3 meses.

Os cinco doentes reportaram melhorias significativas no nível da dor, 3 meses após a primeira infusão. Após um ano, os cinco doentes mantinham uma condição física estável e foi possível cessar o tratamento, tendo três deles registado melhorias tão significativas que puderam parar toda a medicação que estavam a fazer para controlar a doença.

Os investigadores observaram que a velocidade de sedimentação e o nível de proteína C-reativa no sangue, parâmetros associados a estados inflamatórios e que estão geralmente aumentados em doentes com EA, diminuíram significativamente na maioria dos doentes e mantiveram-se dentro dos valores considerados adequados.  Verificou-se em todos os doentes uma descida significativa na pontuação de um teste que determina o nível de dor, cansaço e desconforto, 3 meses após infusão. Essa melhoria tornou-se ainda mais evidente 6 meses após a administração das MSC. Estes dados indicam que os sintomas da doença foram aliviados devido à infusão de MSC do cordão umbilical, provavelmente através da diminuição da inflamação, com inibição da progressão da doença.

Observou-se a ocorrência de febre em 60% dos doentes após a infusão, que foi facilmente resolvida, não tendo sido registado qualquer outro efeito adverso associado ao tratamento. Assim, os autores consideram que o tratamento com MSC do cordão umbilical é seguro em doentes com EA. Alguns doentes relataram que conseguiram realizar determinados movimentos e exercícios após o tratamento, que não tinham sido capazes de realizar antes, mais uma vez atestando a melhoria na sintomatologia e o seu impacto na qualidade de vida destes doentes.

Referência: Li A et al. Infusion of umbilical cord mesenchymal stem cells alleviates symptoms of ankylosing spondylitis. Exp Ther Med. 2017 Aug; 14(2):1538-1546.