Células estaminais do tecido do cordão umbilical diminuem lesão neurológica em paralisia cerebral

A paralisia cerebral resulta de uma lesão neurológica que acontece geralmente durante a gestação ou na altura do nascimento e está associada a um amplo conjunto de sintomas, desde limitações físicas praticamente impercetíveis até alterações profundas a nível cognitivo. Atualmente a paralisia cerebral afeta cerca de dois a três em cada 1.000 recém‑nascidos, não existindo ainda uma solução eficaz para o seu tratamento. Os resultados de vários trabalhos de investigação divulgados nos últimos anos sugerem que a utilização de células estaminais pode vir a constituir uma opção de tratamento para atenuar os sintomas da paralisia cerebral. Para além do sangue do cordão umbilical, que tem demonstrado resultados promissores em ensaios clínicos, com dezenas de crianças com paralisia cerebral já infundidas, também o tecido do cordão umbilical está a ser estudado para o tratamento desta patologia. O tecido do cordão umbilical contém uma grande quantidade de células estaminais mesenquimais, que têm vindo a ser estudadas em algumas doenças neurológicas, como encefalopatia hipóxico-isquémica, acidente vascular cerebral, doença de Alzheimer e doença de Parkinson. Estas células são capazes de produzir moléculas que estão envolvidas em processos importantes: promovem a sobrevivência das células, diminuem a inflamação, modulam a resposta imune e promovem a proliferação, diferenciação e migração de células estaminais para tecidos lesionados.

Células estaminais do cordão umbilical promovem melhorias em modelo de paralisia cerebral

Recentemente, foi publicado um estudo que teve por objetivo avaliar o efeito terapêutico da administração de células estaminais mesenquimais do cordão umbilical na lesão neurológica associada à paralisia cerebral, em modelo animal. Para isso, o grupo responsável por esta investigação isolou células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical (UC-MSC, do inglês “Umbilical Cord-Mesenchymal Stem Cells”) e administrou-as a animais com paralisia cerebral. Os investigadores compararam 2 grupos de animais: o grupo que recebeu placebo e o grupo que recebeu UC-MSC. Registou-se uma melhoria significativa da lesão neurológica nos animais que receberam UC-MSC, comparativamente aos que receberam placebo. Os autores sugerem que a ação protetora das UC‑MSC está provavelmente associada ao efeito anti-inflamatório observado após a sua administração, tal como já foi descrito por outros grupos de investigação. E referem ainda que, para além do seu efeito anti-inflamatório, as UC-MSC poderão também estar associadas a outros mecanismos que promovem a sobrevivência dos neurónios, como o efeito anti-oxidante e a formação de novos vasos sanguíneos.

A paralisia cerebral é uma patologia relativamente comum, afetando cerca de dois a três em cada 1.000 recém-nascidos, e está associada a alterações a nível motor e cognitivo, que acompanham o indivíduo ao longo de toda a sua vida. Os resultados deste e de outros estudos sugerem que a continuação da investigação nesta área poderá trazer novas soluções para o tratamento desta doença, que atualmente não dispõe de nenhum tratamento eficaz.

Referência:

Morioka C et al. Neuroprotective effects of human umbilical cord-derived mesenchymal stem cells on periventricular leukomalacia-like brain injury in neonatal rats. Inflamm Regen. 2017 Jan 16;37:1.