Células estaminais do Tecido do Cordão Umbilical permitem melhorar resultados de Transplantes Hepáticos

A cirrose hepática caracteriza-se pela destruição das células do fígado e alteração da sua estrutura. Sendo este um órgão vital, quando a função hepática fica demasiado comprometida, existe indicação para transplante hepático. Para não haver rejeição do órgão transplantado, a toma crónica de medicamentos imunossupressores torna-se obrigatória para estes doentes. Esta medicação, no entanto, é tóxica para o organismo e aumenta a probabilidade do desenvolvimento de tumores. A par deste problema, cerca de 20-40% dos doentes experienciam rejeição do transplante, mesmo sob terapia imunossupressora. Deste modo, é importante desenvolver novas estratégias terapêuticas para prevenir a rejeição dos órgãos transplantados e diminuir a dose de agentes imunossupressores utilizada.

Estima-se que cerca de 8 a 10% dos portugueses sofram de problemas de fígado e que todos os anos morram cerca de 2.000 pessoas em Portugal com cirrose hepática. Entre as principais causas destaca-se, em primeiro lugar, o consumo excessivo de álcool, seguido pelas hepatites C e B.

Tecido do Cordão Umbilical diminui a inflamação associada ao Transplante Hepático

As células estaminais mesenquimais presentes no tecido do cordão umbilical têm propriedades regenerativas, anti-inflamatórias e imunomoduladoras, que têm sido estudadas no âmbito do tratamento de várias doenças autoimunes e prevenção da rejeição de transplante de órgãos. Foi recentemente publicado o resultado de um ensaio clínico que demonstrou que a administração de células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical é capaz de suprimir a rejeição de transplantes hepáticos. Neste estudo, 27 doentes em fase de rejeição aguda do transplante foram distribuídos por 2 grupos, de forma aleatória: 13 doentes receberam terapêutica imunossupressora convencional (grupo controlo) e 14 receberam terapêutica imunossupressora convencional e células estaminais do tecido do cordão umbilical (grupo de tratamento). Todos os doentes foram submetidos a análises sanguíneas, com ênfase nas funções hepática e imunológica. Foram observadas melhorias na função hepática e ao nível do sistema imunitário nestes doentes, em comparação com os do grupo controlo. Para além disso, de acordo com as biópsias realizadas, os doentes do grupo tratamento apresentaram uma estrutura hepática mais conservada e com menos sinais de inflamação. Não ocorreu nenhum efeito adverso associado ao tratamento com células estaminais. Estes resultados demonstram que a administração de células estaminais do tecido do cordão umbilical é capaz de diminuir a inflamação, podendo ajudar a suprimir a rejeição aguda em transplantados hepáticos.

Segundo os autores deste estudo, o tecido do cordão umbilical é uma fonte muito conveniente para a obtenção de células estaminais mesenquimais e estas células poderão ser muito úteis para o desenvolvimento de novas terapias com grande capacidade imunossupressora e sem efeitos adversos, permitindo uma maior qualidade de vida aos doentes transplantados.

 

Referência:

Shi M, et al. A Pilot Study of Mesenchymal Stem Cell Therapy for Acute Liver Allograft Rejection. Stem Cells Transl Med. 2017 Dec;6(12):2053-2061.