Células estaminais mesenquimais – propriedades e potencial terapêutico

Atualmente, centenas de ensaios clínicos estão a investigar a aplicação terapêutica das células estaminais mesenquimais (MSC, de Mesenchymal Stem Cells) em várias doenças graves, devido ao enorme potencial terapêutico que estas células têm demonstrado em estudos pré-clínicos. As duas principais fontes de MSC são o tecido do cordão umbilical e a medula óssea, podendo também ser obtidas a partir de sangue do cordão umbilical e de tecido adiposo.

O potencial terapêutico das MSC reside nas suas propriedades

As MSC possuem propriedades com notável potencial terapêutico, designadamente:

capacidade de proliferação in vitro, podendo ser multiplicadas em laboratório para posterior utilização clínica;

multipotência: o facto de se poderem diferenciar em vários tipos de células (da cartilagem, osso e gordura, entre outras) está a ser explorado na área emergente da engenharia de tecidos, cujo objetivo é substituir tecidos lesionados ou afetados por doença;

produção de fatores de crescimento e outras moléculas, com função de apoio ao crescimento e diferenciação de outras células. Está demonstrado que as MSC são capazes, por exemplo, de promover a formação de novos vasos sanguíneos e de novos neurónios, tendo a capacidade de estimular a regeneração de vários órgãos;

migração: capacidade de migrar para o local da lesão/doença;

imunossupressão: as MSC são capazes de regular o sistema imunitário, controlando as reações imunológicas exacerbadas características, por exemplo, das doenças autoimunes e da doença do enxerto contra o hospedeiro. Dos doentes que recebem transplantes de medula óssea, uma percentagem considerável desenvolve esta complicação grave, que resulta da reação das células transplantadas contra o doente. Dados da European Society for Blood and Marrow Transplantation indicam que, no ano de 2017, foram realizados, na Europa, 418 tratamentos com MSC para o tratamento desta doença.

MSC do tecido do cordão umbilical testadas em mais de 170 ensaios clínicos

Atualmente, estão registados mais de 170 ensaios clínicos com MSC do tecido do cordão umbilical (UC-MSC) para o tratamento de diversas doenças, tendo já sido publicados mais de 98 artigos científicos com resultados de terapias experimentais com estas células. Uma das primeiras aplicações experimentais das UC-MSC foi no contexto de doença do enxerto contra o hospedeiro, após transplante hematopoiético. Outras doenças nas quais a administração de UC-MSC tem alcançado resultados favoráveis, com melhoria dos sintomas, são: esclerose múltipla, lúpus eritematoso sistémico, lesões na espinal medula, artrite reumatoide, colite ulcerosa e paralisia cerebral. Para além destas melhorias, estas células têm sido associadas, por exemplo, ao aumento da sobrevivência em doentes com cirrose hepática e à diminuição da necessidade de insulina em doentes com diabetes tipo 1.

Continuam a somar-se os resultados positivos dos ensaios clínicos com UC-MSC, perspetivando-se o aumento da sua utilização clínica, para já ainda em contexto experimental. Estando já demonstrada a segurança do tratamento com UC-MSC, torna-se imperativo continuar a investigação nesta área, de forma a confirmar a sua eficácia, o que permitirá, no futuro, que estas células possam vir a ser úteis no tratamento de várias doenças graves, atualmente sem opções de tratamento eficazes.

 

Referências:

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