Células estaminais no tratamento de doenças pulmonares em bebés prematuros

Com os avanços dos cuidados neonatais, a sobrevivência de recém-nascidos muito prematuros tornou-se uma realidade. No entanto, estas crianças têm um elevado risco de desenvolver displasia broncopulmonar, uma grave doença pulmonar que é a principal causa de morte e diminuição da qualidade de vida nestas crianças.

Em crianças muito prematuras, os pulmões ainda não estão completamente formados, sendo necessário ligar a criança a um ventilador artificial, o que pode resultar na inflamação dos pulmões, causando as lesões pulmonares que caracterizam a displasia broncopulmonar. Com o objectivo de prevenir esta patologia, um grupo de investigadores da Coreia realizou um ensaio clinico de fase I para testar se a utilização de terapia com células estaminais em crianças muito prematuras com elevado risco de desenvolver displasia broncopulmonar era segura e viável.

Os resultados deste ensaio clinico foram recentemente publicados no Journal of Pediatrics. Neste estudo 9 recém-nascidos prematuros (com idade gestacional entre as 24 e 26 semanas) foram tratados com células mesenquimais derivadas de sangue do cordão umbilical. As células mesenquimais foram transplantadas na traqueia, entre o 5º e 14º dia de vida dos recém-nascidos. O procedimento foi bem tolerado, não se tendo registados efeitos adversos imediatos. As crianças foram acompanhadas até 84 dias após o transplante e os resultados foram comparados com crianças em condições semelhantes que não fizeram o tratamento.

Os resultados publicados demonstram que a severidade da displasia broncopulmonar foi significativamente menor no grupo transplantado, não se registando diferenças significativas entre os 2 grupos nos outros parãmetros avaliados. No grupo das crianças transplantadas com células mesenquimais de sangue do cordão umbilical, apenas 33% desenvolveram displasia pulmonar moderada e não se registou nenhum caso de displasia pulmonar severa. No grupo das crianças não transplantadas, a incidência de displasia pulmonar moderada ou severa foi significativamente maior representando 72% dos casos analisados.

Portanto, no grupo das crianças transplantadas, as 9 crianças sobreviveram e apenas 3 desenvolveram displasia broncopulmonar moderada, sugerindo que o procedimento é seguro e viável. Os autores deste ensaio clinico estão a fazer o acompanhamento destas crianças para assegurar a segurança a longo prazo do procedimento. Em paralelo estão a planear um ensaio clinico de fase II para testar a eficácia do transplante de células mesenquimais de sangue do cordão umbilical, o que, no futuro, poderá permitir desenvolver uma nova terapia para prevenir, ou curar, a displasia broncopulmonar.

 

Referência: http://www.asianscientist.com/health-medicine/stem-cells-treat-lung-disease-preterm-infants-2014/