Células estaminais promovem melhorias em doença pulmonar rara

Oito doentes com fibrose pulmonar idiopática, uma doença rara que afeta os pulmões, melhoraram após tratamento com células estaminais da medula óssea, como demonstra um estudo piloto recentemente publicado na revista científica Stem Cells Translational Medicine.

A fibrose pulmonar idiopática manifesta-se geralmente a partir dos 50 anos, predominantemente em indivíduos do sexo masculino. O principal sintoma é a sensação de falta de ar, muitas vezes acompanhada de tosse seca e persistente. É causada pela progressiva transformação do tecido que está entre os alvéolos pulmonares em tecido fibroso, semelhante ao de uma cicatriz, o que dificulta as trocas gasosas nos pulmões. Em média, estes doentes sobrevivem 3 a 5 anos após o diagnóstico, no entanto, a evolução da doença é muito variável, podendo ser de progressão lenta, com melhor prognóstico, ou, pelo contrário, pode evoluir rapidamente, com acelerado declínio da função pulmonar. As opções de tratamento disponíveis atualmente são limitadas e têm como objetivo abrandar a progressão da doença e manter a qualidade de vida. Oxigenoterapia e o uso de medicamentos imunossupressores (e.g. corticoides) e anti-fibróticos fazem parte das estratégias correntemente utilizadas. É, assim, urgente encontrar métodos eficazes para o combate a esta doença fatal, sobretudo nos casos mais graves. Após o sucesso num grande número de estudos em animais, a terapia com células estaminais mesenquimais é agora considerada uma potencial candidata para o tratamento de fibrose pulmonar idiopática, pelas suas propriedades anti-fibróticas, anti-inflamatórias e angiogénicas (estimulação da formação de vasos sanguíneos).

Função pulmonar melhora em doentes tratados com células estaminais

Um estudo, recentemente divulgado, testou o tratamento de doentes com fibrose pulmonar idiopática de progressão rápida, utilizando células estaminais mesenquimais da medula óssea de dadores saudáveis. O ensaio clínico incluiu 20 participantes, distribuídos em igual número pelo grupo experimental (que recebeu células estaminais) e pelo grupo controlo (que recebeu placebo). Três meses após o tratamento com células estaminais, começaram a notar-se diferenças entre os grupos: o desempenho dos indivíduos do grupo experimental, na prova de esforço cardiopulmonar começou a melhorar, contrariamente ao dos do grupo controlo, que continuou a piorar. Esta diferença foi-se acentuando ao longo do tempo, e, passado um ano, o desempenho nesta prova tinha melhorado 23% no grupo experimental e piorado 10% no grupo controlo.

Para além deste teste, as provas de função respiratória também sugerem que o tratamento com células estaminais promoveu o abrandamento da doença. Notavelmente, a capacidade vital forçada, que é o volume máximo de ar que conseguimos expirar, continuou a diminuir cerca de 10% por ano no grupo controlo, mas aumentou cerca de 4% no grupo experimental, o que constituiu um resultado muito positivo. Relativamente à segurança, o tratamento foi considerado seguro e bem tolerado, com registo de efeitos adversos ligeiros, tendo a taxa de mortalidade sido igual em ambos os grupos.

De acordo com estes resultados, as células estaminais mesenquimais parecem ser seguras e eficazes no tratamento de fibrose pulmonar, constituindo uma opção terapêutica a explorar em futuros ensaios clínicos.

Referências:

Olson AL, et al. The epidemiology of idiopathic pulmonary fibrosis and interstitial lung diseases at risk of a progressive-fibrosing phenotype. Eur Respir Rev. 2018. 21;27(150). pii: 180077.

Averyanov A, et al. First-in-human high-cumulative-dose stem cell therapy in idiopathic pulmonary fibrosis with rapid lung function decline. Stem Cells Transl Med. 2019. doi: 10.1002/sctm.19-0037. [Epub ahead of print]

https://www.fundacaoportuguesadopulmao.org/apoio-ao-doente/fibrose-pulmonar#165, acedido a 16-12-2019.