Células nervosas do nariz usadas para reparar uma lesão na medula espinal em homem paraplégico

Acaba de ser publicado um artigo na revista Cell transplantation, que descreve a utilização de células nervosas do nariz para reparar uma lesão na medula espinal, num homem de 38 anos que ficou paraplégico em 2010, na sequência de uma facada.

Os autores removeram células nervosas do nariz do doente que foram colocadas em cultura durante 12 dias. Essas células foram depois injetadas na medula espinal em vários pontos acima e abaixo da lesão. Durante a cirurgia, os médicos removeram fibras nervosas do tornozelo do doente que fixaram nas duas extremidades da lesão fornecendo um suporte para a regeneração da medula.

O doente estava paralisado há cerca de 2 anos e apesar dos exercícios de fisioterapia intensivos não tinha demonstrado qualquer sinal de recuperação. Após a cirurgia, continuou a realizar exercício de fisioterapia e começou a sentir os primeiros efeitos positivos do tratamento após 3 meses quando a perna esquerda começou a apresentar um aumento da massa muscular. 6 meses após a cirurgia conseguiu dar os primeiros passos, em barras paralelas, com a ajuda do fisioterapeuta. Quase 2 anos após o tratamento, consegue caminhar com a ajuda de um andarilho, também recuperou alguma sensação da bexiga e intestinos e alguma função sexual. Imagens de ressonância magnética sugerem que a lesão da medula espinal fechou após o tratamento, indicando que houve regeneração do tecido nervoso na região.

Estes resultados são promissores, fornecendo uma esperança para os milhões de doentes com lesões da medula espinal em todo o mundo. A utilização de células da mucosa nasal para doentes com lesão da medula espinal, não é uma novidade. Em Portugal, e em colaboração com outros grupos no estrangeiro, vários doentes foram tratados pelo grupo do Dr. Carlos Lima (falecido em 2012), apresentando tal como neste caso algumas melhorias significativas. No entanto, ainda está em desenvolvimento uma tecnologia que seja padronizada e que permita resultados significativos em todos os doentes.

Nesta nova abordagem, as células da mucosa nasal são colocadas em cultura e são utilizadas fibras nervosas do tornozelo do próprio doente como suporte. O resultado é positivo, mas será necessário um ensaio clinico com mais doentes para avaliar a segurança e eficácia desta abordagem. Abre-se mais uma porta, mas serão necessários mais estudos até que se consiga desenvolver uma terapêutica eficaz.

 

Fonte:

http://www.theguardian.com/science/2014/oct/21/paralysed-darek-fidyka-pioneering-surgery