Criança com paralisia cerebral recebe infusão de células estaminais do seu sangue do cordão umbilical

Em Espanha, no passado dia 10 de dezembro de 2013, uma menina de 4 anos de idade com paralisia cerebral recebeu uma infusão de células estaminais do seu próprio sangue do cordão umbilical. A paralisia cerebral é uma das principais áreas de investigação da utilização terapêutica das células estaminais do sangue do cordão umbilical. A infusão foi realizada pelo Dr. Luis Madero, chefe do departamento de hemato-oncologia do Hospital Niño Jesús, em Madrid. Esta é a terceira infusão deste tipo realizada pelo Dr. Madero para o tratamento de paralisia cerebral infantil. Segundo o Dr. Luis Madero, embora este tipo de tratamentos se encontrem ainda em fases muito iniciais de investigação, acredita se que as terapias regenerativas com células estaminais possam ser uma opção terapêutica para regenerar o tecido nervoso e reparar lesões cerebrais. Este tratamento só foi possível porque o sangue do cordão umbilical desta criança tinha sido criopreservado à nascença, num banco familiar.

A paralisia cerebral

A paralisia cerebral é uma perturbação neurológica que afeta 1 em cada 500 crianças [i], nem sempre sendo conhecida a sua causa exata. Apesar da paralisia cerebral poder ser devida a uma falta de oxigénio durante o parto, entre 70% a 80% dos casos devem-se a causas que ocorrem durante a gravidez (causas pré-natais), 10%, no momento do parto (causas perinatais) e 10%, após o nascimento (causas pós-natais) [ii]. A paralisia cerebral surge em consequência de uma série de lesões em determinadas partes do cérebro em desenvolvimento, principalmente nas diferentes áreas que controlam os movimentos do corpo e a postura. Trata-se de uma lesão cerebral, e não de uma doença, uma vez que não é nem progressiva nem contagiosa, e causa incapacidade física e/ou cognitiva, afetando o desenvolvimento do indivíduo. Não há nenhuma terapia padrão que resulte para todas as crianças com paralisia cerebral, já que cada doente é único. As crianças podem melhorar e desenvolver-se fisicamente, mas fazem no a diferentes ritmos. Por isso, é difícil diferenciar entre progressão natural de uma criança com paralisia cerebral e os benefícios cerebrais possíveis do tratamento. Até há pouco tempo, os tratamentos utilizados limitavam se à reabilitação e prevenção de complicações. Recentemente, começou a ser utilizada a terapia celular com células estaminais do sangue do cordão umbilical. Pensa se que os mecanismos imunomoduladores, anti-inflamatórios e regenerativos de células estaminais mesenquimais de sangue cordão umbilical possam contribuir para uma melhoria nestes doentes. Embora os resultados preliminares sejam positivos, são necessários mais estudos clínicos para avaliar a segurança e eficácia terapêutica das infusões de células do sangue do cordão umbilical.

Estudos clínicos em curso com células estaminais

Atualmente existem vários estudos clínicos internacionais em curso centrados no uso de células estaminais do sangue do cordão umbilical para o tratamento da paralisia cerebral. Um desses estudos decorre na Universidade de Duke (EUA) e estima incluir 120 crianças. As crianças estão a ser acompanhadas até 24 meses após a infusão. Os resultados iniciais mostram que se trata de um tratamento seguro, não tendo sido até agora reportados efeitos adversos. Embora os resultados do estudo ainda não se encontrem disponíveis, algumas famílias têm relatado efeitos positivos nos seus filhos após as respetivas infusões.

Referências:
i. How common are the “common” neurologic disorders? D. Hirtz, MD, D. J. Thurman, MD, MPH, K. Gwinn-Hardy, MD, M. Mohamed, MPH, A. R. Chaudhuri, PhD and R. Zalutsky, PhD. Neurology 2007;68:326-337
ii. http://www.emedicinehealth.com/cerebral_palsy/page2_em.htm
iii. http://www.clinicaltrials.gov