Crianças com paralisia cerebral melhoram após tratamento com células estaminais

Um estudo que avaliou a eficácia do tratamento de paralisia cerebral com células estaminais do cordão umbilical obteve resultados favoráveis em crianças até aos 12 anos. As melhorias observadas poderão ser atribuídas ao potencial anti-inflamatório e regenerativo destas células.

A paralisia cerebral é geralmente causada por lesões neurológicas ocorridas durante a gestação ou na altura do nascimento. Atualmente, estima-se que afete cerca de 2 em cada 1.000 recém-nascidos, sendo a principal causa de incapacidade na infância. Para além das dificuldades motoras e posturais, as crianças com paralisia cerebral podem ainda apresentar dificuldades cognitivas e alterações da visão e da audição. As abordagens terapêuticas atuais dirigem-se à melhoria da postura, controlo do movimento e autonomia da criança, não atuando na lesão cerebral subjacente. A sua eficácia é, por isso, limitada, tornando-se urgente encontrar novas estratégias, eficazes no tratamento desta condição. Uma das estratégias que tem vindo a ser testada baseia-se na administração de células estaminais do cordão umbilical, que se pensa poderem atuar ao nível do cérebro, ajudando a restabelecer parte da função perdida.

Células estaminais promovem melhorias motoras e das atividades quotidianas

O ensaio clínico contou com a participação de 39 crianças com paralisia cerebral, com idades entre os 2 e os 12 anos. De forma a avaliar a eficácia do tratamento com células estaminais, as crianças foram distribuídas por 2 grupos: o grupo experimental, que recebeu células estaminais do tecido do cordão umbilical; e o grupo controlo, que recebeu placebo. Adicionalmente, todas as crianças foram incluídas num programa de reabilitação e seguidas durante 1 ano após o tratamento. Não houve diferenças na incidência de efeitos adversos entre os grupos, o que indica que a administração de células estaminais se revelou segura.

Os investigadores compararam o desempenho das crianças que receberam células estaminais relativamente às que receberam placebo, utilizando três testes, realizados antes e depois do tratamento. Os testes utilizados mediram o desempenho das crianças a vários níveis, desde a facilidade em realizar atividades quotidianas, como vestir e comer, à compreensão e linguagem, passando ainda pela função motora (sentar, rebolar, deitar, andar, saltar). Embora o desempenho inicial das 39 crianças tenha sido idêntico nos 3 testes, depois do tratamento começaram a notar-se diferenças entre os dois grupos. Aos 12 meses, as crianças do grupo experimental apresentavam um desempenho significativamente melhor do que as do grupo controlo em dois dos testes utilizados. Mais concretamente, as crianças que receberam células estaminais melhoraram mais do que as que receberam placebo relativamente à capacidade motora e à realização de atividades do dia-a-dia. Segundo os autores, isto indica que a terapia com células estaminais do cordão umbilical é capaz de promover melhorias que vão para além das conseguidas unicamente através do programa de reabilitação seguido.

Os resultados deste ensaio clínico, em conjunto com outros casos publicados, sugerem que a utilização de células estaminais, em conjunto com as abordagens tradicionais, é capaz de melhorar as capacidades motoras e a qualidade de vida das crianças com paralisia cerebral, podendo vir a desempenhar um papel preponderante no tratamento desta condição.

Referência:

Gu J, et al. Therapeutic evidence of umbilical cord-derived mesenchymal stem cell transplantation for cerebral palsy: a randomized, controlled trial. Stem Cell Res Ther. 2020. 11(1):43.