Demonstrada segurança clínica um ano após o primeiro transplante de células pluripotentes induzidas

As células pluripotentes induzidas (iPSCs) são células estaminais pluripotentes geradas diretamente a partir de células adultas. O interesse terapêutico destas células baseia-se, entre outros, no facto de o recurso a este tipo de células poder permitir a sua utilização em medicina regenerativa.

O primeiro estudo clínico do mundo a usar iPSCs iniciou-se há um ano atrás, no Japão, com o transplante de células da retina produzidas a partir de iPSCs da própria doente. Foi recentemente noticiado que a doente submetida a esta cirurgia se encontra bem, de acordo com os investigadores envolvidos no transplante, o que demonstra, até agora, a segurança do tratamento. Sendo este o primeiro estudo clínico envolvendo a administração de iPSCs em humanos, tinha como principal objetivo confirmar a segurança destas células na doente. Por essa razão, esta notícia é considerada um bom resultado.

Durante a cirurgia, a 12 de setembro de 2014, uma equipa liderada pelo investigador Masayo Takahashi (do instituto RIKEN, no Japão) transplantou para o olho direito da doente parte do tecido da retina, produzido a partir de iPSCs da própria doente. A doente, nos seus 70 anos, sofria de degenerescência macular da idade, uma doença degenerativa da área central da retina (mácula) que provoca uma perda da visão central. Os investigadores envolvidos descrevem que o edema da retina está a diminuir e a recorrência de vasos sanguíneos anómalos que causam a doença, não consegue ser observada. Segundo o médico que realizou a operação, a visão da doente (que foi enfraquecendo gradualmente antes da operação) tem sido mantida desde a operação.

Um dos riscos associadas à terapêutica com células iPSCs relaciona-se com o facto de estas poderem desenvolver algum tumor. Por esta razão há um interesse muito grande em saber se esta doente desenvolveria cancro. A equipa envolvida no transplante veio comunicar que até este momento se confirma que esta doente não apresenta cancro. É de grande importância que a segurança da doente tenha sido confirmada, mesmo que seja apenas um ano após a operação. A confirmação da segurança da doente submetida ao primeiro transplante do mundo com iPSCs constitui um marco importante para a continuação da aplicação clínica de iPSCs. Como a avaliação da segurança se baseia num único transplante com células iPSCs, é necessário aumentar o número de operações e demonstrar que são seguras e eficazes a longo prazo. Algumas universidades japonesas planeiam a aplicação clínica de iPSCs noutras doenças, incluindo a doença de Parkinson e lesões da espinal medula.

Fonte: http://the-japan-news.com/news/article/0002465563