Eficácia de Células Estaminais do Tecido do Cordão Umbilical no Tratamento de Osteonecrose da Cabeça do Fémur: Resultados de um Ensaio Clínico

Tecido do Cordão Umbilical no Tratamento de Osteonecrose da Cabeça do Fémur: A osteonecrose da cabeça do fémur (ONCF) é uma doença incapacitante que provoca diversas limitações nas atividades da vida diária. A ONCF caracteriza-se pela morte do tecido ósseo decorrente da privação de fluxo sanguíneo e é uma patologia que afeta primariamente adultos jovens (entre os 30 e 50 anos).

O seu tratamento representa uma percentagem significativa de próteses totais da anca e os resultados deste procedimento, a longo prazo, nesta faixa etária são geralmente imprevisíveis. Vários procedimentos cirúrgicos têm sido usados com o objetivo de conservar a cabeça femoral e evitar a colocação de prótese total da anca em doentes mais jovens. Estas abordagens incluem a descompressão, para retirar osso que está morto e sem circulação, e vários tipos de osteotomias (seccionamento do osso). No entanto, apesar destes avanços, o melhor tratamento para doentes com ONCF na prática clínica não se encontra ainda definido. Estudos anteriores demonstraram a eficácia de células estaminais mesenquimais (MSCs) implantadas na cabeça femoral para o tratamento de ONCF. As MSCs podem ser isoladas a partir da medula óssea, do tecido adiposo, do sangue e do tecido do cordão umbilical e, sob certas condições, podem diferenciar-se em células especializadas para reparar tecidos lesados. Assim, o transplante de células estaminais tem gradualmente emergido como uma abordagem promissora para o tratamento de ONCF.

Foi recentemente publicado um estudo (ensaio clínico), na revista Molecular Medicines Reports, cujo objetivo era investigar se as MSCs do tecido do cordão umbilical (TCU) poderiam ser úteis no tratamento ONCF. Considerando que a ONCF é decorrente da obstrução do fornecimento de sangue à cabeça do fémur com a consequente morte de células ósseas, e dado que as MSCs podem diferenciar‑se: em i) células endoteliais, que são capazes de regenerar vasos sanguíneos promovendo a irrigação sanguínea; e ii) em osteoblastos e reconstruir a área morta da cabeça do fémur, no presente estudo, foram tratados 9 doentes com ONCF, em fase inicial, recorrendo a uma infusão de MSCs do TCU, tendo os resultados sido avaliados nos 24 meses seguintes.

Resultados do Ensaio Clínico

Os resultados mostraram que o fornecimento de oxigénio aumentou 3 dias após a cirurgia; as imagens de ressonância magnética e a análise volumétrica revelaram que, aos 12 e 24 meses após o tratamento, o volume de área morta na cabeça femoral tinha reduzido significativamente, e não foram observados efeitos adversos. Em conjunto, estes resultados sugerem que após infusão, as MSCs do TCU poderão migrar até à área morta de cabeça do fémur, multiplicar-se e diferenciar-se em osteoblastos, melhorando assim a condição do osso. Estes dados demonstraram assim que as MSCs do TCU (via infusão intra‑arterial) conduzem à reparação e regeneração do osso, sugerindo que a infusão de MSCs do TCU é um método viável e relativamente seguro para o tratamento da ONCF. Os autores admitem que este método possa ser combinado com a descompressão para se obterem melhores resultados. Apesar dos resultados deste ensaio clínico terem sido positivos, os autores referem que a segurança a longo prazo da infusão intra‑arterial de MSCs do TCU necessita de avaliação adicional. Para além disso, também o potencial mecanismo de ação subjacente a esta abordagem requer uma investigação mais aprofundada.

 

Referência:

Efficacy of umbilical cord-derived mesenchymal stem cell-based therapy for osteonecrosis of the femoral head: A three-year follow-up study. Chen C, Qu Z, Yin X, Shang C, Ao Q, Gu Y, Liu Y. Mol Med Rep. 2016 Sep 16. doi: 10.3892/mmr.2016.5745