Estudo em ratos demonstra potencial de células mesenquimais para obtenção de bexigas

A bexiga é um órgão complexo, cuja principal função é armazenar e eliminar urina, contudo, existem várias doenças que podem afetar o seu funcionamento. Em muitos casos é necessário aumentar a capacidade ou substituir a bexiga, de forma a preservar a função renal, adquirir continência, impedir infeções do trato urinário e promover um esvaziamento voluntário e completo da bexiga. O tratamento padrão, nestas situações, passa pela utilização de um segmento do intestino para aumentar ou substituir a bexiga, no entanto, esta terapêutica está associada a várias complicações.

Neste contexto, um grupo de investigadores demonstrou recentemente, num estudo realizado em ratos, que é possível obter uma bexiga funcional utilizando células estaminais mesenquimais e uma matriz (o “esqueleto”) de bexiga.

Os investigadores retiraram bexigas de ratos que foram descelularizadas (às quais foram removidas as células) ficando apenas a matriz acelular (tecido de suporte que confere estrutura à bexiga – o “esqueleto”). Recolheram medula óssea de ratos e isolaram as células mesenquimais. As células mesenquimais foram de seguida inoculadas na matriz acelular das bexigas onde aderiram. Estas “bexigas” foram depois implantadas em ratos aos quais se removeu previamente a bexiga. Os ratos foram avaliados ao fim de 1 e 6 meses e comparados com ratos aos quais foram implantadas apenas matriz acelular de bexiga sem células estaminais mesenquimais.

Os dados mostram que as células mesenquimais inoculadas na matriz sobrevivem, proliferam e diferenciam-se. Os animais transplantados com estas bexigas recuperaram a função normal e a capacidade quase total da bexiga ao fim de 6 meses, e estas apresentaram melhor regeneração de tecidos quando comparadas com animais transplantados com matriz acelular de bexiga sem células mesenquimais.

Os autores sugerem que esta abordagem poderá ser aplicada em animais maiores e em humanos, onde células mesenquimais autólogas (do próprio) poderão ser inoculadas em matriz acelular de bexiga de cadáveres ou xenogénicas (de animais de espécies diferentes). Estes resultados parecem evidenciar que esta poderá ser uma alternativa viável aos tratamentos atuais e poderá também prevenir a maioria das complicações a eles associados.

Fonte:

http://www.plosone.org/article/fetchObject.action?uri=info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0111966&representation=PDF