Infusão de células do cordão umbilical no tratamento de artrite reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença crónica, autoimune em que o sistema imunitário (que naturalmente protege o organismo contra ataques de “substâncias estranhas”, como vírus e bactérias) ataca de forma anormal as articulações. Este ataque desencadeia um processo inflamatório, causando dor, inchaço, dano articular e incapacidade.

O tratamento convencional da artrite reumatoide inclui abordagens farmacológicas e não farmacológicas (exercício físico, dieta, fisioterapia). As terapêuticas farmacológicas compreendem várias classes de medicamentos: anti-inflamatórios não-esteroides, fármacos modificadores da doença biológicos e não biológicos, imunossupressores e corticosteroides. Estes tratamentos têm contribuído para uma melhoria dos sintomas, no entanto, são poucos os doentes que não evidenciam sinais da doença sem a utilização destes fármacos. Para além disso, são tratamentos dispendiosos e que, em alguns casos, causam efeitos secundários severos. Por estas razões, encontram-se em investigação novas estratégias para o tratamento da artrite reumatoide.

As células estaminais mesenquimais (MSCs, Mesenchymal Stem Cells) exercem um efeito regulador sobre o sistema imunitário controlando o processo inflamatório e promovendo a recuperação de tecidos danificados. Estas podem ser colhidas de diversas fontes, como a medula óssea, o tecido adiposo e o cordão umbilical. As MSCs provenientes do sangue do cordão umbilical apresentam diversas vantagens, comparativamente às células derivadas da medula óssea. Entre elas destacam-se o facto de serem obtidas através de uma colheita não invasiva e sem risco para a mãe e para o bebé e apresentarem maior capacidade proliferativa e de diferenciação.

 

Células estaminais mesenquimais do cordão umbilical melhoram sintomas da artrite reumatoide

Recentemente, foram publicados os resultados de um ensaio clínico que pretendeu avaliar a tolerância, segurança e eficácia da utilização das MSCs do sangue do cordão umbilical no tratamento da artrite reumatoide. Neste estudo, os doentes foram divididos em três grupos, tendo sido administrada a cada um deles uma dose celular diferente. Após a infusão não foram observados sinais de intolerância ou efeitos secundários. Imediatamente antes da infusão das MSCs e quatro semanas após a mesma, foram avaliados vários parâmetros indicadores dos níveis de inflamação associados à doença. Os resultados obtidos indicam que houve uma diminuição da inflamação, bem como uma redução da dor, o que se traduziu por uma melhoria na qualidade de vida destes doentes.

Estes resultados poderão permitir que, no futuro, seja possível tratar a artrite reumatoide com recurso a células estaminais mesenquimais. Contudo, é necessário realizar mais estudos, num maior número de doentes, seguidos por um período de tempo mais longo, de forma a compreender se esta terapêutica poderá ser, efetivamente, uma opção de tratamento. Esta abordagem pode ser particularmente importante para doentes que sejam intolerantes ou não respondam aos tratamentos convencionais.

 

Referência:

Park et al., Intravenous Infusion of Umbilical Cord Blood-Derived Mesenchymal Stem Cells in Rheumatoid Arthritis: A Phase 1a Clinical Trial. Stem Cells Transl Med. 2018 Aug 15. doi: 10.1002/sctm.18-0031. [Epub ahead of print]