Método inovador trata defeitos na coluna vertebral com células estaminais

Foi reportado, pela primeira vez em humanos, o tratamento de lesões vertebrais, utilizando células estaminais do cordão umbilical numa matriz de hidroxiapatite.

O artigo, publicado na revista médica International Journal of Surgery Case Reports, relata o tratamento experimental de uma doente de 27 anos, que se apresentou com dor persistente na região lombar, com consequente limitação dos movimentos. Anteriormente, tinha sido diagnosticada com uma forma pouco comum de tuberculose que afeta a coluna vertebral. Se não for tratada, esta doença causa deformações nas vértebras, com graves repercussões no estado da coluna vertebral, saúde e qualidade de vida dos doentes. Apesar de ter sido corretamente medicada, a doente descontinuou a medicação antes do tempo indicado, tendo como consequência o alojamento, na coluna vertebral, da bactéria responsável pela doença, Mycobacterium tuberculosis, provocando deterioração das vértebras L1-L2 (região lombar). Devido à gravidade da situação, foi submetida a uma intervenção cirúrgica para estabilização da coluna vertebral ao nível das vértebras afetadas, tendo sido colocados parafusos para fixar essa região. No entanto, passado um ano, a doente ainda sofria de dor lombar persistente.

Doente com deformações nas vértebras recupera após tratamento com células estaminais

De forma a melhorar a situação clínica da doente, os autores testaram a aplicação de células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical, combinadas com uma matriz de hidroxiapatite (uma matriz mineral sintética semelhante ao osso original). As células estaminais, previamente criopreservadas, foram descongeladas e colocadas em cultura no laboratório. As células obtidas foram combinadas com a matriz de hidroxiapatite e, durante uma cirurgia, foram aplicadas diretamente nas vértebras afetadas. Passados 3 meses, a doente conseguia andar e não sentia dor, tendo melhorado consideravelmente. Os exames feitos posteriormente revelaram que as células estaminais combinadas com a matriz de hidroxiapatite preencheram com sucesso o defeito ósseo, tendo levado à regeneração das vértebras na posição correta. Não se encontraram sinais de deformação óssea ou de compressão da espinal medula, nem se registaram complicações até 6 meses após o tratamento, o que sugere que esta alternativa terapêutica é segura.

Tal como se observou neste caso e em estudos anteriores em modelo animal, as células estaminais mesenquimais, usadas em combinação com uma matriz de hidroxiapatite, conseguem promover a formação de osso, constituindo uma estratégia promissora para o tratamento de defeitos ósseos na coluna vertebral e outros locais. A realização de ensaios clínicos é fundamental para demonstrar os benefícios desta metodologia comparativamente aos métodos convencionais.

Referências:

https://www.fundacaoportuguesadopulmao.org/apoio-ao-doente/tuberculose#203 acedido a 17 de janeiro de 2020.

Rahyussalim AJ, et al. Vertebral body defects treated with umbilical-cord mesenchymal stem cells combined with hydroxyapatite scaffolds: The first case report. Int J Sur Case Rep. 2020. 66:304-308.