É possível tratar osteoartrite do joelho com células estaminais?

Vários estudos publicados nos últimos anos demonstram que é possível melhorar os sintomas de osteoartrite (habitualmente designada apenas por artrite) do joelho, através da injeção local de células estaminais mesenquimais (MSC, Mesenchymal Stem Cells). Estima-se que, em todo o mundo, cerca de 10% dos homens e 18% das mulheres com idade superior a 60 anos sofram de osteoartrite.

A osteoartrite caracteriza-se pela degeneração da cartilagem, associada a um processo inflamatório, originando sintomas como dor, inchaço e rigidez. Os tratamentos atualmente existentes para melhorar a sintomatologia e atrasar a progressão da doença incluem fármacos anti-inflamatórios e injeções de ácido hialurónico.

Têm sido investigadas outras abordagens terapêuticas potencialmente mais eficazes em limitar a degeneração da cartilagem afetada por osteoartrite, e que ao mesmo tempo promovam a sua regeneração. Uma estratégia que tem obtido resultados favoráveis é a aplicação de MSC isoladas, por exemplo, a partir de tecido do cordão umbilical ou de tecido adiposo (gordura presente no nosso corpo).

Células estaminais do tecido adiposo melhoram osteoartrite do joelho

Um estudo agora divulgado descreve as melhorias observadas em 23 doentes com osteoartrite do joelho, tratados com MSC preparadas em laboratório a partir de tecido adiposo autólogo (do próprio), obtido por lipoaspiração. Neste ensaio clínico, 23 doentes receberam injeções locais com MSC do tecido adiposo e 24 doentes foram tratados com infiltrações de ácido hialurónico (grupo controlo). Comparados com o grupo controlo, os doentes tratados com células estaminais do tecido adiposo apresentaram melhorias significativas ao nível da dor e da qualidade de vida. Para além disso, a análise por ressonância magnética revelou que, um ano após o tratamento, os doentes tratados com MSC apresentaram um aumento significativo do volume da cartilagem, contrariamente aos do grupo controlo. Estes resultados indicam que o tratamento com MSC do tecido adiposo do próprio são mais eficazes do que o tratamento com ácido hialurónico na redução da dor e melhoria da qualidade de vida do doente com osteoartrite do joelho e parecem ser capazes de promover a regeneração da cartilagem danificada.

Do mesmo modo, noutro ensaio clínico, cujos resultados foram também recentemente publicados, observaram-se melhorias significativas em 12 doentes com osteoartrite do joelho, após administração local de MSC de tecido adiposo autólogo, comparativamente aos indivíduos do grupo controlo, que receberam apenas solução salina. Neste estudo, 6 meses após o tratamento com células estaminais, observou-se uma diminuição de 59% na escala da dor, de 54% na escala de rigidez e de 54% na escala relativa à limitação física (subir e descer escadas, caminhar, etc.), medidas através de um índice para avaliação do doente com osteoartrite (WOMAC). Ambos os ensaios clínicos reportaram um excelente perfil de segurança relativo ao uso de células do tecido adiposo, tendo os tratamentos sido bem tolerados.

Conjuntamente, estes resultados indicam que o tratamento com células estaminais do tecido adiposo autólogo, obtido por lipoaspiração, é seguro e eficaz no tratamento de osteoartrite do joelho, potencialmente devido às propriedades anti-inflamatórias e regenerativas destas células. A realização de ensaios clínicos com maior número de doentes e tempo de acompanhamento mais longo é fulcral para que, futuramente, este tipo de terapia inovadora possa vir a estar disponível para o grande público.

Referências:

Lee WS, et al. Intra-Articular Injection of Autologous Adipose Tissue-Derived Mesenchymal Stem Cells for the Treatment of Knee Osteoarthritis: A Phase IIb, Randomized, Placebo-Controlled Clinical Trial. Stem Cells Transl Med. 2019. 8(6):504-511.

Lu L, et al. Treatment of knee osteoarthritis with intra-articular injection of autologous adipose-derived mesenchymal progenitor cells: a prospective, randomized, double-blind, active-controlled, phase IIb clinical trial. Stem Cell Res Ther. 2019. 10(1):143.