Resultados de um ensaio clínico de fase 2 para o tratamento de insuficiência cardíaca congestiva com células mesenquimais

Foram recentemente apresentados os resultados de um ensaio clínico de fase 2, que avaliou o tratamento com células mesenquimais precursoras alogénicas em doentes com insuficiência cardíaca congestiva.

A insuficiência cardíaca congestiva (ou insuficiência cardíaca) é uma doença em que a quantidade de sangue que o coração bombeia por minuto é insuficiente para satisfazer as necessidades de oxigénio e de nutrientes do organismo. As causas para a insuficiência cardíaca são variadas, sendo mais frequente em pessoas mais velhas. Esta doença afeta cerca de 23 milhões de indivíduos em todo o mundo, e apesar destes poderem viver vários anos, cerca de 70% dos doentes morrem nos primeiros 10 anos após o diagnóstico.

A empresa Norte Americana Mesoblast, com foco na área da medicina regenerativa, desenvolveu um ensaio clínico de fase 2 com o seu produto de células precursoras mesenquimais alogénicas (MPCs), obtidas de medula óssea de indivíduos saudáveis, com o objetivo de avaliar a segurança e eficácia destas células no tratamento de doentes com insuficiência cardíaca congestiva.

Os resultados do ensaio clínico foram recentemente publicados na revista científica Circulation Research. Os investigadores recrutaram 60 doentes que foram divididos em 3 grupos de 20 doentes. Em cada grupo, 15 doentes receberam uma injeção de MPCs no endocárdio e 5 receberam placebo. Foram testadas 3 doses de MPCs (uma por cada grupo): 25, 75 ou 150 milhões de células e os doentes foram acompanhados ao longo de 36 meses.

Os investigadores verificaram que a injeção de MPCs era segura e bem tolerada em todas as doses, e os doentes não apresentavam resposta imunitária relevante às células injetadas. Observaram também que a dose mais elevada apresentava melhorias clínicas significativas, verificando-se uma redução do volume do coração (na insuficiência cardíaca a diminuição da capacidade de bombear o sangue leva frequentemente a um aumento do volume do coração quer unilateralmente (apenas de um lado) quer bilateralmente (dos dois lados)). Ao fim dos 36 meses após o tratamento, os cientistas verificaram que os doentes tratados com a maior dose de MPCs apresentavam uma menor incidência de eventos adversos quando comparados com o grupo controlo.

Os autores do estudo concluíram que a dose mais elevada de MPCs parece reduzir os principais efeitos adversos associados à insuficiência cardíaca e apresenta benefícios na remodelagem cardíaca (redução do volume do coração), sugerindo que doses elevadas de células precursoras mesenquimais alogénicas podem diminuir as principais complicações clínicas associadas à insuficiência cardíaca (incluindo os repetidos internamentos e a morte) durante pelo menos 3 anos.

O grupo pretende confirmar estes resultados, tendo iniciado já um ensaio clínico de fase 3, que se encontra-se atualmente a recrutar doentes, com o objetivo de comprovar a eficácia desta terapêutica, utilizando a dose de 150 milhões de MPCs, no tratamento da insuficiência cardíaca congestiva.

Fonte:

http://www.irasia.com/listco/au/mesoblast/press/p150715.htm