Resultados preliminares de um ensaio clinico de fase I com células estaminais para o tratamento de AVC

Os AVCs são a principal causa de morte e incapacidade permanente em Portugal e a terceira nos países desenvolvidos. É por isso importante apostar na prevenção e tratamento desta doença. Muita investigação tem sido desenvolvida nesta área e vários estudos, em laboratório e em animais, têm demonstrado que as células estaminais apresentam um elevado potencial no tratamento dos AVCs.

Foram recentemente publicados os resultados preliminares de um ensaio clinico de fase I com o objetivo de determinar a eficácia, segurança e viabilidade do tratamento com células estaminais CD34+ em doentes com acidente vascular cerebral (AVC) isquémico agudo. Neste contexto, foi realizado no Reino Unido um ensaio clinico utilizando células estaminais para o tratamento de AVC. Foram recrutados 5 doentes entre os 45 e 75 anos que tinham sofrido recentemente um AVC isquémico agudo. As células estaminais foram isoladas a partir da medula óssea dos próprios doentes e injetadas diretamente na artéria cerebral média até 7 dias após a ocorrência do AVC. (Os investigadores acreditam que nesta fase o efeito terapêutico das células estaminais será mais eficaz).

O tratamento foi bem tolerado e não apresentou efeitos adversos significativos. Todos os doentes apresentaram melhorias clinicas e redução no volume da lesão, num período de 6 meses. 4 dos 5 doentes sofreram um tipo de AVC muito grave (é esperado que apenas 4 % das pessoas que sofrem esse tipo de AVC consiga sobreviver e ser independente 6 meses depois). Os 4 sobreviveram e 3 conseguiram ficar independentes após 6 meses.

Os autores concluem que a terapia com células estaminais autólogas, injetadas na artéria que irriga o cérebro, pode ser realizada com segurança em doentes com AVC isquémico agudo. As melhorias verificadas nos doentes são encorajadoras, mas dado o pequeno grupo de indivíduos incluídos no estudo ainda é prematuro elaborar conclusões acerca da eficácia nesta fase. Serão necessários mais estudos para se conseguir definir uma terapêutica que possa ser utilizada em ensaios clínicos que incluam um maior número de doentes.

Mais informações em:

http://stemcellstm.alphamedpress.org/content/early/2014/08/07/sctm.2013-0178.abstract