Vantagens e limitações do sangue do cordão umbilical relativamente à medula óssea/sangue periférico

Desde o sucesso do primeiro transplante com sangue do cordão umbilical (SCU), em 1988, foram já realizados mais de 30.000 transplantes, cerca de 75% dos quais nos últimos seis anos. Estes valores demonstram a crescente adoção do SCU como opção terapêutica e para isso muito contribuem as vantagens que o SCU apresenta face a outras fontes de células estaminais hematopoiéticas: medula óssea e sangue periférico.

Entre as principais vantagens destacam-se as seguintes:

– O SCU contém um maior número de células estaminais hematopoiéticas por unidade de volume, quando comparado com o sangue periférico ou com a medula óssea (cerca de 10 vezes mais

– Apresenta menor risco de doença do enxerto contra hospedeiro (GVHD), uma complicação grave que pode ocorrer após um transplante hematopoiético

– Maior aceitabilidade no grau compatibilidade HLA entre dador e doente

– Menor risco de infeção com agentes infecciosos

– Disponibilidade imediata das células para transplantação; e, para além disso

– O SCU é facilmente colhido após o parto, e a sua colheita é indolor e não apresenta qualquer risco para a mãe ou para o bebé.

A principal limitação do SCU reside no número limitado de células que é possível isolar a partir de algumas amostras, uma vez que o volume colhido é limitado. No entanto, vários grupos de investigação estão a desenvolver protocolos de expansão celular que permitem aumentar o número de células estaminais hematopoiéticas das amostras de SCU. Foram já publicados resultados da utilização de células expandidas em doentes, demonstrando a segurança do procedimento e permitindo que o estudo avançasse para uma fase que incluirá um maior número de doentes, com o objetivo de tornar a expansão celular um procedimento de rotina na prática clínica da transplantação. Outras estratégias, para ultrapassar a limitação quanto ao número de células, incluem o transplante de duas amostras de SCU e a combinação de SCU com medula óssea. Outra desvantagem do SCU prende se com um maior tempo de recuperação hematológica após o transplante, quando comparado com a medula óssea ou sangue periférico, o que se traduz por um maior período em que os doentes transplantados estão mais suscetíveis a infeções, e um tempo de hospitalização mais longo. Este facto está relacionado com a menor quantidade de células das amostras de SCU, pelo que resolvida essa limitação, admite-se que também a recuperação hematológica será mais rápida e os resultados comparáveis aos dos transplantes de medula óssea/sangue periférico.

Independentemente da fonte de células estaminais hematopoiéticas (SCU, medula óssea/sangue periférico) usada, vários estudos têm mostrado que os resultados globais dos transplantes não apresentam diferenças significativas entre SCU e medula óssea/sangue periférico, sendo o SCU considerado uma alternativa valiosa para doentes que necessitam de transplantes hematopoiéticos.