Substância com potencial anti-inflamatório identificada no sangue do cordão umbilical

Um grupo de investigadores identificou no sangue do cordão umbilical (SCU) uma substância (fator) com potencial anti-inflamatório, designada nNIF. Os resultados do estudo foram agora publicados na revista The Journal of Clinical Investigation.

 

O fator nNIF reduz os sintomas associados à inflamação em ratinhos

O processo inflamatório é uma reação do organismo a qualquer tipo de lesão (entorse, picada, infeção, corte, entre outros) com o objetivo de remover os elementos agressivos (que podem incluir células danificadas, microrganismos patogénicos, substâncias irritantes) e dar início ao processo de recuperação dos tecidos afetados. Este processo caracteriza-se por vermelhidão, inchaço, dor e calor na área afetada. Em muitos casos, este processo ocorre no espaço de alguns dias até a região afetada recuperar totalmente. No entanto, em alguns casos, existe uma desregulação deste processo, começando o sistema imunitário a destruir células saudáveis. Acredita-se que estes processos inflamatórios descontrolados estejam na origem de várias doenças inflamatórias, tais como artrite reumatoide ou sepsis. Sepsis é uma reação exagerada do organismo a uma infeção generalizada, resultando frequentemente em morte. No artigo agora publicado, os investigadores descrevem a identificação do nNIF e as suas características anti-inflamatórias. Os autores isolaram o nNIF do Sangue do Cordão Umbilical e avaliaram o seu potencial anti-inflamatório em ratinhos. Foi induzida sepsis em ratinhos que foram depois divididos em dois grupos, tendo-se administrado nNIF apenas a um dos grupos.

No grupo que recebeu nNIF verificaram uma redução dos sintomas associados à inflamação e sepsis, tais como redução da febre, das complicações respiratórias e da morte. Os investigadores observaram que 2 a 4 dias após a indução de sepsis apenas 20% dos ratinhos não tratados sobreviveram, enquanto 60% dos ratinhos tratados com nNIF sobreviveram, demonstrando que os ratinhos tratados com nNIF tinham 3 vezes mais probabilidade de sobreviver.

Os autores concluem que o fator descoberto no SCU (nNIF) poderá ser útil no desenvolvimento de novas terapias anti-inflamatórias.

Os investigadores verificaram ainda que o fator nNIF detetado no SCU se mantém no sangue dos recém-nascidos até duas semanas após o nascimento, não sendo detetado posteriormente. A presença transitória deste fator sugere a existência de um forte controlo da inflamação no início da vida para que esta não prejudique esta fase tão delicada do desenvolvimento.

Fonte:

http://healthcare.utah.edu/publicaffairs/news/2016/09/Cord-blood-antiinflammatory.php