Transplante de sangue do cordão umbilical guardado num banco familiar entre irmãos num caso de Anemia de Diamond Blackfan

Foi recentemente noticiado em Espanha, o primeiro caso de transplante de sangue do cordão umbilical armazenado num banco familiar para tratar uma criança de 4 anos com Anemia de Diamond-Blackfan (ADB). A Anemia de Diamond-Blackfan é uma doença congénita que impede a medula óssea de produzir glóbulos vermelhos, as células responsáveis pelo transporte de oxigénio a todas as partes do corpo.
O menino, de 4 anos de idade, foi transplantado com o sangue do cordão umbilical de uma irmã, para tratar a Anemia de Diamond-Blackfan de que padecia. O transplante foi realizado no passado mês de Abril no Hospital del Niño Jesús, em Madrid, tendo sido o primeiro transplante realizado em Espanha para tratar esta doença com recurso a uma amostra de sangue do cordão umbilical criopreservada num banco familiar.
O transplante foi realizado com sucesso e a criança deverá recuperar como esperado. Este tratamento pode proporcionar uma melhoria significativa na qualidade de vida desta criança, que desde o nascimento foi regularmente sujeita a transfusões de glóbulos vermelhos. Até ao transplante, a vida desta criança estava dependente destas transfusões.
Até recentemente, os principais tratamentos para esta anemia eram as transfusões frequentes de glóbulos vermelhos, que alteram consideravelmente a qualidade de vida dos doentes, e a terapêutica com corticosteróides a longo prazo, não tolerada em todos os casos. O transplante de células estaminais do sangue do cordão umbilical, especialmente entre irmãos, é agora uma opção de tratamento recomendada para certos tipos de doenças hematológicas, como esta anemia. Segundo o Dr. Luis Madero, chefe do serviço de Onco Hematologia do Hospital del Niño Jesús, as vantagens deste procedimento para o tratamento desta doença, comparativamente a outras opções, são claras, como o demonstram vários estudos.

A incidência anual de Anemia de Diamond-Blackfan na população geral europeia é de aproximadamente 1/150.000. Esta doença, em que ambos os sexos são afectados de igual modo, é geralmente detectada nos primeiros meses de vida e os principais sintomas são palidez e dispneia, especialmente durante a alimentação ou a amamentação.