Tratamento inovador com células estaminais para Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

Foram recentemente publicados os resultados de um estudo pioneiro, que utilizou células estaminais do cordão umbilical para tratar Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). Os resultados são promissores, com melhoria de vários indicadores do bem-estar dos doentes.

A DPOC caracteriza-se pela obstrução das vias aéreas e aparece, geralmente, como consequência de hábitos tabágicos. À medida que a doença vai progredindo, as trocas gasosas nos pulmões vão ficando cada vez mais dificultadas, conduzindo ao aparecimento de insuficiência respiratória. Falta de ar, tosse com expetoração e cansaço são algumas das queixas mais comuns dos doentes com DPOC. Em casos graves, podem mesmo sentir-se cansados ao realizar atividades simples do dia-a-dia, como vestir-se ou falar. Para além da cessação tabágica, o controlo da DPOC inclui o recurso a corticosteroides, broncodilatadores, oxigenoterapia, reabilitação respiratória ou mesmo cirurgia.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 65 milhões de pessoas vivem, atualmente, com DPOC moderada a grave. A eficácia das abordagens terapêuticas atuais é limitada, estimando-se que, em 2020, a DPOC venha a ser a terceira principal causa de morte a nível mundial. Perante este cenário, é fundamental reforçar as estratégias preventivas e terapêuticas disponíveis para o combate a esta doença.

Células estaminais melhoram bem-estar de doentes com DPOC

A terapia celular é, atualmente, considerada uma das possíveis alternativas a adotar para o tratamento de DPOC, em particular utilizando células estaminais mesenquimais (MSC, do inglês Mesenchymal Stem Cells), cuja utilização em contexto experimental tem alcançado resultados promissores no tratamento de várias doenças. Estas células podem ser obtidas, por exemplo, a partir de tecido do cordão umbilical, medula óssea e tecido adiposo. Os autores do estudo agora publicado colocaram a hipótese de que as MSC do tecido do cordão umbilical seriam as mais adequadas para controlar a DPOC, por serem mais jovens, com maior potencial proliferativo e com maior capacidade imunomoduladora, comparativamente às da medula óssea e do tecido adiposo.

Com o objetivo de testar esta hipótese, conduziram um ensaio clínico que incluiu 20 doentes com DPOC de alto risco, com idades compreendidas entre os 40 e os 80 anos, aos quais foram administradas, por via intravenosa, células do tecido do cordão umbilical. Todos os participantes toleraram bem o tratamento, sem efeitos adversos significativos. Decorridos seis meses após o tratamento, os doentes tinham melhorado significativamente quanto à severidade da dispneia (falta de ar), o número de exacerbações (que passou de uma média de duas para zero, num período de 6 meses) e quanto ao impacto da doença no seu bem-estar e atividades quotidianas. Segundo os autores, estas melhorias poderão ter-se devido ao efeito anti-inflamatório das MSC, já documentado noutros estudos. Outro aspeto interessante deste estudo foi o facto de os doentes em estado mais grave terem sido os que evidenciaram melhorias mais marcadas após o tratamento.

Estes resultados indicam que a terapia com células estaminais do tecido do cordão umbilical pode vir a constituir uma importante arma no combate à DPOC, com capacidade para promover melhorias mesmo nos casos mais graves.

Referências:

Bich PLT, et al. Allogeneic umbilical cord-derived mesenchymal stem cell transplantation for treating chronic obstructive pulmonary disease: a pilot clinical study. Stem Cell Res Ther. 2020. 11(1):60.

Norma clínica 005/2019 de 26 de Agosto. Diagnóstico e Tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica no Adulto. Direção-Geral da Saúde.