Utilização de células estaminais do próprio

As terapêuticas à base de células estaminais permitem, atualmente, melhorar a qualidade de vida ou mesmo tratar um elevado número de pessoas em todo o mundo. Os transplantes hematopoiéticos (de medula óssea, sangue periférico ou sangue do cordão umbilical) dividem-se em 2 grupos: transplantes alogénicos, nos quais dador e recetor são indivíduos diferentes; e transplantes autólogos, em que dador e recetor são a mesma pessoa.

As principais doenças tratadas com células estaminais do próprio são linfomas, perturbações das células plasmáticas e tumores sólidos. Por outro lado, células obtidas a partir de um dador compatível são preferencialmente utilizadas para tratar doenças como leucemias ou doenças genéticas. A maioria dos transplantes hematopoiéticos realizados em todo o mundo são autólogos.

Na Europa, dos mais de 35.000 transplantes realizados em 2011, 58% foram autólogos e 42% foram alogénicos. Em Portugal, segundo dados da ASST (Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação), em 2011, foram efetuados 461 transplantes hematopoiéticos, em que 71% foram autólogos e 29% alogénicos, seguindo a tendência mundial de um maior número de transplantes autólogos.

Apesar do elevado número de transplantes hematopoiéticos autólogos, são ainda poucos os casos publicados de utilização de sangue do cordão umbilical. Como só em 1992 surgiram os primeiros bancos familiares de sangue do cordão umbilical, grande parte dos indivíduos com amostras de sangue do cordão umbilical armazenadas são ainda muito jovens. Mas dado o número de transplantes hematopoiéticos autólogos, pensa-se que se esses indivíduos tivessem as suas amostras de sangue do cordão umbilical criopreservadas, estas poderiam ter sido utilizadas, evitando o risco e o desconforto que a recolha de medula óssea implica, com a vantagem de que as células do sangue do cordão umbilical são mais primitivas e não foram sujeitas a todas as “agressões” que sofremos ao longo da vida.

Em algumas doenças pediátricas com elevada incidência, como a paralisia cerebral, o autismo, ou a diabetes, entre outras, as células estaminais do sangue do cordão umbilical do próprio estão a ser testadas em crianças cujos pais guardaram as células do seu sangue do cordão umbilical, pois a utilização autóloga evita os riscos de rejeição e aumenta a segurança e o sucesso destes tratamentos, trazendo por isso vantagens. A investigação do potencial do sangue do cordão umbilical neste tipo de doenças, que diminuem a qualidade de vida e que têm particular incidência na infância, abre enormes perspetivas à utilização de sangue do cordão umbilical em contexto autólogo.