Utilização de células estaminais do tecido adiposo em cirurgias reconstrutivas da face e do crânio

Um estudo publicado na revista STEM CELLS Translational Medicine mostra que doentes com defeitos no crânio, face ou mandíbula podem vir a beneficiar de cirurgia reconstrutiva que combina células estaminais do tecido adiposo (gordura) com biomateriais reabsorvíveis. Os defeitos que podem vir a ser tratados com esta abordagem podem ser devidos a malformações congénitas (como o lábio leporino ou a fenda palatina), lesões traumáticas ou cirurgias para remoção de tumores.

O estudo da STEM CELLS Translational Medicine acompanhou 13 doentes submetidos a procedimentos de medicina regenerativa. Este estudo, levado a cabo por cientistas e médicos finlandeses, teve como objetivo analisar a experiência de 13 pessoas com defeitos em tecidos duros de 4 locais anatomicamente diferentes: seio frontal (3 casos), osso craniano (5 casos), mandíbula (3 casos) e septo nasal (2 casos). As células estaminais foram colhidas do tecido adiposo abdominal de cada doente, tratadas em laboratório e cultivadas com materiais reabsorvíveis, e os tecidos assim construídos foram implantados nos doentes. O tempo de acompanhamento destes doentes variou entre 12 e 52 meses e os resultados foram, em geral, muito promissores. Os três casos do seio frontal e três dos cinco casos de defeitos cranianos foram tratados com sucesso. Nos outros 2 casos de defeitos cranianos foi necessário refazer o procedimento e um caso de perfuração septal falhou ao fim de 1 ano devido a uma infeção decorrente de ações do próprio doente, tendo a outra sido tratada com sucesso. Nos 3 doentes com defeitos da mandíbula a reconstrução da mesma foi bem sucedida, tendo dois deles, após o tratamento, optado por colocar implantes dentários diretamente nos enxertos feitos com células estaminais, o que lhes permitiu voltar a desfrutar de uma dieta normal.

Deste modo, dez dos treze casos foram tratados com sucesso, tendo a integração dos tecidos construídos com as células estaminais do próprio sido feita com sucesso nos tecidos circundantes. Este estudo representa assim uma esperança para doentes com este tipo de defeitos.

Referência:
http://www.digitaljournal.com/pr/1751156 # ixzz2uM9qH2o4