Vacinas de células dendríticas – O que são?

Actualmente, os tratamentos para combater tumores incluem, cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. O objectivo desta última estratégia consiste em activar o sistema imunitário do próprio doente para combater o tumor.

Neste contexto, desde meados dos anos 90, as células dendríticas (DCs) têm sido utilizadas em ensaios clínicos no desenvolvimento de vacinas para tratar doentes com cancro. Vários ensaios clínicos de fase 1 demonstraram a segurança da imunoterapia baseada em DCs. No entanto, muito cepticismo tem sido demonstrado devido à incerteza da sua eficácia clinica, pois apenas alguns doentes respondem de forma efectiva.

As células dendríticas são células do sistema imunitário com um papel essencial na regulação da imunidade. As DCs são os “vigilantes” do sistema imunitário, deslocando-se por todos o organismo, procurando continuamente a presença de elementos estranhos. Quando um agente estranho é identificado as DCs deslocam-se até aos nódulos linfáticos (locais de armazenamento de glóbulos brancos) onde activam os glóbulos brancos iniciando a resposta imunológica contra estes elementos.

O recurso a DCs como estratégia imunoterapêutica baseia-se na sua capacidade em captar e apresentar agentes estranhos, neste caso, proteínas tumorais, desencadeando uma forte resposta imunogénica contra o tumor. O passo chave nesta estratégia reside na produção de uma vacina de DCs capaz de desencadear uma reposta imunológica que permita destruir o tumor.

De uma forma sucinta a imunoterapia com DCs pode ser resumida nos seguintes passos: 1) colheita de sangue do paciente; 2) isolamento de células percursoras de DCs (monócitos ou células estaminais hematopoiéticas) a partir da amostra de sangue; 3)diferenciação das células isoladas em DCs; 4) activação das DCs por exposição a  células tumorais ou elementos constituintes destas; 5) injecção das células activadas no doente para desencadear a resposta imunológica contra o tumor. Apesar desta imagem simplista, várias são as estratégias utilizadas para diferenciar e activar as DCs de forma a obter uma vacina mais eficaz.

Em 2010 foi aprovada pela US Food and Drug Administration (FDA) a primeira vacina de DCs. A vacina sipuleucel-T, comercializada nos EUA, demonstrou aumentar o tempo de vida de doentes com cancro da próstata avançado. Recentemente, a Neostem (empresa dos EUA) apresentou os resultados de sobrevivência após 5 anos da vacina de DCs, Melapuldencel-T, em doentes com melanoma. Os resultados de um ensaio clinico de fase 2 tinham já sido publicados anteriormente. Os doentes foram seguidos durante 5 anos permitindo analisar a sobrevivência desses doentes num período mais longo. Com base nestes resultados a FDA aprovou o início de um ensaio clinico de fase 3 seguindo um protocolo especial, pois considera que esta vacina poderá representar uma terapia essencial para estes doentes. No site www.clinicaltrials.gov estão ainda registados 2 outros ensaios clínicos de fase 3: um para glioma e outro para carcinoma renal. Estes ensaios, em fase mais avançada, demonstram o potencial desta terapia na luta contra o cancro.

De acordo coma evidência científica existente, a imunoterapia com DCs apresenta-se  como uma estratégia segura e com resultados promissores no combate ao cancro. No entanto, são ainda necessários alguns avanços científicos para que as formulações terapêuticas de vacinas de DCs se tornem mais eficientes., pelo que a comunidade médica e científica aguarda com grande expectativa os resultados da investigação em curso.