Aplicações Atuais

A criopreservação das células estaminais permite que estas
possam ser utilizadas imediatamente, pelo próprio ou por algum
familiar compatível, no tratamento de várias doenças

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Doenças tratáveis

Hoje em dia, são já mais de 80 as doenças em cujo tratamento podem ser utilizadas células estaminais do sangue do cordão umbilical:

  • em 5 das quais já foram utilizadas as células estaminais do próprio, nomeadamente deficiências medulares e tumores sólidos; a utilização autóloga faz-se geralmente em doenças que não estão presentes à nascença, mas que são adquiridas ao longo da vida.
  • nas restantes doenças foram feitos transplantes com células de dadores familiares e não relacionados, por exemplo leucemias ou doenças metabólicas; estas doenças estão normalmente relacionadas com uma deficiência genética, ie são de nascença.

No caso dos transplantes autólogos, existem algumas doenças que já foram tratadas com recurso à medula óssea e sangue periférico e para as quais se poderá vir a recorrer também ao sangue do cordão umbilical, apesar de ainda não terem sido feitos transplantes.

O que significa que a utilização autóloga de SCU poderá vir a ser útil num maior número de doenças do que até agora foi feito.

*nestas doenças a utilização do sangue do cordão umbilical foi feita em contexto autólogo (dador e recetor são a mesma pessoa). Nos restantes casos, a utilização foi feita em contexto alogénico (dador e recetor são pessoas diferentes), por exemplo, entre irmãos.

1) First report of autologous cord blood transplantation in the treatment of a child with leukemia. Hayani A, Lampeter E, Viswanatha D, Morgan D, Salvi SN. Pediatrics. 2007 Jan;119(1):e296-300.

2) em combinação com terapia génica
Lista elaborada a partir do artigo científico moise KJ “Umbilical Cord Stem Cells” Obstet Gynecol 2005;106:1393-1407 e do site: www.parentsguidecordblood.com.

02

Probabilidades de utilização

A probabilidade de vir a necessitar de um transplante hematopoiético aumenta, ao longo da vida, segundo um estudo recente, e aos 70 anos é cerca de 1/200.

As probabilidades acima ilustradas têm como base um artigo científico de 2008. Este estudo é o mais recente sobre probabilidades de transplante hematopoiético (sangue do cordão umbilical, medula óssea, ou sangue periférico) ao longo da vida e baseia-se nas estimativas anuais dos transplantes hematopoiéticos efetuados nos EUA, na incidência de doenças que requerem transplante hematopoiético e em dados demográficos dos EUA.

Existem outros estudos publicados anteriormente que apontam para probabilidades de utilização mais baixas. Por exemplo, um artigo de opinião, publicado em 1999*, refere-se à probabilidade de uso de sangue do cordão umbilical em contexto familiar de 1:20.000 para os primeiros 20 anos de vida. No entanto, ao contrário do artigo científico de 2008, estes estudos carecem de cálculos que fundamentem essas probabilidades.

A Crioestaminal considera o artigo de 2008 como referência uma vez que é mais atualizado e mais fundamentado.

* Annas, G.J. (1999) Waste and longing–the legal status of placental blood banking. N Engl J Med. 340, 1521-4.

03

Tipos de utilização

Existem dois tipos de utilização das células estaminais: a Autóloga e a Alogénica.

Transplantes hematopoiéticos realizados na Europa em 2013

Na utilização autóloga, são utlizadas as células estaminais do próprio1. Esta opção é preferida nas doenças que podem ser tratadas com células estaminais do próprio por evitar complicações de incompatibilidade. Nos transplantes hematopoiéticos com medula óssea e sangue periférico a utilização autóloga é mais comum do que a alogénica.

Na utilização alogénica, o doente é tratado com células estaminais de outra pessoa compatível. O doador, pode ser familiar ou não do doente. Contudo, o sucesso do transplante é superior quando ambos (dador e doente) são familiares.Importa referir que a compatibilidade entre irmãos é de 25%.

No caso de transplantes com células estaminais do sangue do cordão umbilical o número de transplantes autólogos é ainda inferior ao número de transplantes alogénicos, porque estas doenças surgem geralmente em idades mais avançadas, em doentes que não tiveram oportunidade de criopreservar as células do seu sangue do cordão umbilical.

O uso de células de um dador familiar faz a diferença

Fonte: baseado num estudo de 45 centros de transplantes relativos a 143 transplantes efectuados entre 1988 e 1996. Informação de Gluckman E, Rocha V, Boyer-Chammard A, et al. Outcome of cord-blood transplantation from related and unrelated donors. N Engl J Med. 1997;337(6):373-381.

(1) No caso de doenças genéticas e/ou congénitas, a utilização Autóloga de sangue do cordão umbilical poderá não ser recomendada devido ao risco das células já estarem afetadas com a patologia. Contudo, para outro tipo de doenças, ter disponíveis células autólogas permitirá evitar a rejeição do transplante, bem como as complicações secundárias associadas aos transplantes alogénicos.

(2) I1Gluckman E et al. (2011) Family-directed umbilical cord blood banking. Haematologica. 96(11):1700-7.

Rocha V et al. (2009) Pediatric related and unrelated cord blood transplantation for malignant diseases. Bone Marrow Transplant.44, 653D9.

Referências

Passweg et al. Bone Marrow Transplant. 2015 Apr;50(4):476-82. doi: 10.1038/bmt.2014.312. Epub 2015 Feb 2.

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