Sangue do Cordão Umbilical
Introdução
O sangue do cordão umbilical é uma fonte rica em células estaminais hematopoiéticas (células responsáveis pela formação das células do sangue e do sistema imunitário), sendo um bem único para a medicina.
A colheita do sangue do cordão umbilical só é possível no momento do nascimento, o que explica o interesse crescente por parte das famílias à espera de bebé em conhecer, ainda durante a gravidez, as opções de criopreservação para guardar as células estaminais do sangue do cordão umbilical e aumentar as opções terapêuticas da sua família.
O sangue do cordão umbilical representa uma fonte acessível e segura de células estaminais com potencial de uso clínico, com aplicações em mais de 90 doenças, incluindo leucemias, linfomas, imunodeficiências e anemias.
Descubra as aplicações terapêuticas atuais do sangue do cordão umbilical, as vantagens face à medula óssea, e como a Crioestaminal pode ajudar a salvaguardar esta opção adicional de tratamento, para a sua família.
Aplicações terapêuticas atuais
Doenças tratadas
Desde o sucesso do primeiro transplante, em 1988, foram já realizados mais de 60.000 tratamentos de sangue do cordão umbilical, em crianças e adultos, para o tratamento de mais de 90 doenças (incluindo leucemias, linfomas, imunodeficiências e anemias)(1). Consulte a lista completa de doenças aqui.
Atualmente, o sangue do cordão umbilical constitui uma fonte de células estaminais importante no panorama da transplantação hematopoiética a nível mundial, permitindo o acesso desta opção terapêutica a mais doentes.
Números de transplantes
60 000
Desde 1988, data do primeiro transplante, foram já realizados mais de 60 mil tratamentos de sangue do cordão umbilical(1).
500
Nos EUA, foram realizados cerca de 500 transplantes de sangue do cordão umbilical por ano, no período de 2016-2018(2).
375
Na Europa, realizaram-se, em média, 375 transplantes de sangue do cordão umbilical por ano, no mesmo período(3-5).
500
Segundo um estudo realizado na Europa, mais de 500 crianças com doenças hemato-oncológicas foram transplantadas com células estaminais do sangue do cordão umbilical de um dador familiar, com resultados favoráveis(6).
Experiência em Portugal
Os transplantes de sangue do cordão umbilical têm dado passos seguros no nosso país.
O primeiro transplante com células estaminais do sangue do cordão umbilical realizado em Portugal foi em 1994, no IPO de Lisboa.
Uma criança de 3 anos, que sofria de leucemia mieloide crónica juvenil, entrou em remissão após ser transplantada com as células do sangue do cordão umbilical do seu irmão, colhidas durante o parto.
Segundo dados oficiais, entre 2002 e 2019, foram realizados, em Portugal, mais de 80 transplantes com células estaminais do sangue do cordão umbilical, nos vários centros de transplantação nacionais.
O primeiro transplante de células estaminais do cordão umbilical em Portugal foi realizado em 1994
Ainda bebé, Inês Domingos foi diagnosticada com leucemia mieloide crónica juvenil e internada no IPO de Lisboa. Devido aos resultados insuficientes dos tratamentos com quimioterapia, e da ausência de dadores compatíveis, o médico recomendou aos pais ter outro filho, com o objetivo de realizar um transplante de células estaminais do sangue do cordão umbilical, algo inédito em Portugal na altura. Três meses após o nascimento de João Miguel, e da recolha das suas células estaminais, Inês, então com 3 anos, deu entrada no hospital onde foi realizado o transplante. Agora, já adulta, a leucemia ficou para trás e Inês apenas tem de visitar o IPO uma vez por ano, para exames de rotina.
Estas vantagens tornam o sangue do cordão umbilical uma opção cada vez mais considerada em transplantes hematopoiéticos.
Para compreender melhor estas diferenças, veja a comparação direta com a medula óssea a seguir.
Comparação: Sangue do cordão umbilical vs. Medula óssea
Imediata: as células estaminais ficam criopreservadas, prontas a ser utilizadas.
O tempo de espera pode ser mais longo, se for necessário encontrar dador compatível.
Maior tolerância: é possível utilizar amostras mesmo quando a compatibilidade entre dador e paciente não é total.
Menor tolerância, o que reduz a probabilidade de encontrar um dador compatível.
Menor
Maior
Cerca de 1 a 2 semanas mais lento
Mais rápido
A colheita é indolor e não apresenta riscos, nem para a mãe nem para o bebé.
Envolve um procedimento cirúrgico com anestesia, mais invasivo, o que comporta algum risco.
Após compreender as vantagens e as diferenças, é importante perceber como estas células podem ser utilizadas dentro da própria família.
A solução pode estar na própria família
Tipos de utilização das células estaminais
Utilização autóloga
São utilizadas as células estaminais do próprio. Esta opção é preferida nas doenças que podem ser tratadas com células estaminais hematopoiéticas do próprio, por evitar complicações de incompatibilidade e rejeição.
Utilização alogénica
O doente é tratado com células estaminais de outra pessoa compatível. Num transplante alogénico, o dador pode ser, ou não, familiar do doente. Contudo, o sucesso do transplante é superior quando ambos (dador e doente) são familiares. Desta forma, a utilização de sangue do cordão umbilical entre irmãos é preferível à de dadores não relacionados(12).
Bancos familiares e armazenamento
Em 1992, surgiu, nos EUA, o primeiro banco familiar de sangue do cordão umbilical, com o objetivo de dar às famílias a oportunidade de guardar as células estaminais do sangue do cordão umbilical dos seus filhos, através de um processo de recolha e armazenamento seguro, de forma a estarem disponíveis, a qualquer altura, para um eventual tratamento. A partir de 2003, com a fundação da Crioestaminal, esta opção passou a estar disponível também para as famílias portuguesas.
Sangue do cordão umbilical e o futuro
A investigação com células estaminais é das áreas mais promissoras da medicina. Esta realidade é sublinhada pelos milhares de ensaios clínicos em curso com células estaminais de várias fontes, envolvendo milhares de doentes em todo o mundo, para o tratamento de um conjunto muito alargado de doenças (cardiovasculares, autoimunes, neurodegenerativas, etc.).
Em 2012, o potencial desta área foi mais uma vez reconhecido pela atribuição do prémio Nobel da Medicina a dois investigadores da área das células estaminais.
Nos últimos 30 anos, as aplicações terapêuticas do sangue do cordão umbilical têm conhecido extraordinários progressos.
Um dos mais significativos foi o começo da utilização destas células fora do contexto da transplantação hematopoiética.
A primeira utilização de sangue do cordão umbilical em medicina regenerativa aconteceu em 2005, nos EUA, para o tratamento de uma criança com lesões neurológicas. Desde então, tem-se assistido ao uso crescente destas células para o tratamento experimental de problemas do foro neurológico, nomeadamente paralisia cerebral, associado à melhoria dos sintomas. Estão também em curso ensaios clínicos e programas experimentais de investigação em áreas como o autismo e a diabetes.
Vinte e duas crianças foram já tratadas com sangue do cordão umbilical, guardado à nascença na Crioestaminal, para este tipo de aplicações.
Atualmente, estão registados mais de 230 ensaios clínicos com células estaminais do sangue do cordão umbilical para aplicações de medicina regenerativa(13).
Estas células têm vindo a alcançar resultados promissores em doenças como a paralisia cerebral, a perda auditiva adquirida, a hipoplasia do coração esquerdo (doença cardíaca congénita), a encefalopatia hipóxico-isquémica neonatal (falta de irrigação sanguínea e oxigenação cerebral em recém-nascidos), entre outras.
Nestes estudos, são preferencialmente usadas células do próprio, de forma a aumentar a segurança e sucesso do tratamento.
Para esclarecer dúvidas frequentes sobre o sangue do cordão umbilical, consulte a secção de perguntas frequentes.

