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Ensaio clínico indica melhoria dos sintomas de lúpus após administração de células estaminais

O Lúpus Eritematoso Sistémico é uma doença reumática de caráter autoimune que atinge maioritariamente mulheres jovens. Caracteriza-se pela presença de anticorpos contra o próprio organismo, provocando danos em múltiplos órgãos. O envolvimento renal, sob a forma de nefrite lúpica, afeta até 60% dos doentes, estimando-se que evolua para doença renal crónica ou terminal em cerca de 25%.

O lúpus, que afeta cerca de 100 em cada 100 mil habitantes em Portugal, manifesta-se, geralmente, de forma intermitente, com períodos de agravamento intercalados com períodos de remissão, em que a doença está inativa. A probabilidade de um doente com lúpus responder aos tratamentos convencionais e de se manter em remissão dez anos após o diagnóstico é extremamente baixa, estimando-se que possa ser inferior a 5%.

Para além de os tratamentos convencionais não garantirem a remissão dos sintomas, estão associados a efeitos secundários indesejados, motivos que impulsionaram a procura de novas alternativas terapêuticas. Nas duas últimas décadas, as capacidades anti-inflamatórias e de regulação do sistema imunitário das células estaminais mesenquimais têm vindo a ser investigadas em vários ensaios clínicos, no âmbito do tratamento de várias doenças autoimunes – incluindo lúpus – com resultados encorajadores.

 

CÉLULAS ESTAMINAIS MESENQUIMAIS DA GORDURA ALIVIAM SINTOMAS EM DOENTES COM NEFRITE LÚPICA

Os resultados de um novo estudo, publicados na revista científica Current Research in Translational Medicine, reportam efeitos positivos da aplicação de células estaminais mesenquimais do tecido adiposo (i.e. gordura) no tratamento de doentes com nefrite lúpica.

O ensaio clínico incluiu nove doentes com nefrite lúpica diagnosticada há cinco anos, em média, que não respondiam às terapêuticas convencionais. O participante mais novo tinha 19 anos, e o mais velho, 36 anos de idade. O tratamento experimental consistiu numa única infusão de células estaminais do tecido adiposo, obtido por lipoaspiração. Os dadores de células foram irmãos saudáveis dos participantes, com idades compreendidas entre 25 e 40 anos.

Os participantes foram examinados antes do tratamento experimental e, posteriormente, em cinco visitas de acompanhamento ao longo de um ano. A primeira visita ocorreu uma semana após o tratamento experimental, e as seguintes foram realizadas 1, 3, 6 e 12 meses depois. Em todas as consultas de acompanhamento, os participantes realizaram exames físicos e laboratoriais e foram avaliados quanto ao índice de atividade da doença. Possíveis efeitos adversos foram monitorizados durante todo o período em que decorreu o ensaio clínico. Não se verificaram reações adversas ao tratamento experimental, à exceção de um episódio de hipertensão, que foi facilmente resolvido.

Após a administração de células estaminais, observou-se uma diminuição da excreção de proteínas na urina, revelando uma melhoria na disfunção renal característica da nefrite lúpica. Três meses depois, os níveis de proteína na urina começaram a aumentar gradualmente, mantendo-se, contudo, abaixo dos níveis registados pré-tratamento. Estes dados indicam que as células estaminais mesenquimais do tecido adiposo tiveram um impacto positivo nos sintomas renais de lúpus, embora com eficácia temporária, questão que poderá ser, eventualmente, ultrapassada administrando o tratamento de forma periódica.

Para além destas melhorias, verificou-se a diminuição da frequência de outros sintomas de lúpus, como o eritema malar (lesões cutâneas na face, em forma de borboleta), artrite, dor de cabeça, febre, queda de cabelo e alterações na visão. No final do período de seguimento, várias destas manifestações tinham desparecido totalmente, nos doentes que antes as apresentavam. Estas melhorias traduziram-se numa diminuição significativa do índice de atividade da doença, a partir da primeira semana após a administração de células estaminais e ao longo de todo o período de acompanhamento.

Este estudo demonstrou que as células estaminais do tecido adiposo são seguras e eficazes na redução dos sintomas de lúpus em doentes com nefrite lúpica que não respondem aos tratamentos convencionais. Segundo os autores, este efeito positivo poderá dever-se, por um lado, a um efeito protetor exercido pelas células estaminais através da sua ação anti-inflamatória, e por outro, à sua ação de reparação das células afetadas. Em concordância com estudos anteriores, os resultados deste ensaio clínico apontam para a necessidade de administração periódica do tratamento experimental, de forma a manter a eficácia e prevenir recaídas, questão que deverá ser avaliada em futuros ensaios clínicos.

 

Referências:

Branco JC, et al. Prevalence of rheumatic and musculoskeletal diseases and their impact on healthrelated quality of life, physical function and mental health in Portugal: results from EpiReumaPt– a national health survey. RMD Open 2016;2:e000166.

https://spreumatologia.pt/lupus-eritematoso-sistemico/, acedido a 18 de janeiro de 2022.

https://www.sns.gov.pt/noticias/2021/04/23/lupus-eritematoso-sistemico/, acedido a 18 de janeiro de 2022.

https://www.jornalmedico.pt/atualidade/37438-10-de-maio-dia-mundial-do-lupus.html, acedido a 18 de janeiro de 2022.

Ranjbar A, et al. Allogeneic adipose-derived mesenchymal stromal cell transplantation for refractory lupus nephritis: Results of a phase I clinical trial. Curr Res Transl Med. 2021. 70(2):103324. 

 

 

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